Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A denúncia feita pelo influenciador digital Felca sobre a exploração e a sexualização de crianças em plataformas digitais, acendeu um alerta para a gravidade do problema no país. No Amazonas, a situação não é diferente, principalmente quando relacionado a crimes sexuais no Interior do estado.
Em entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o delegado Paulo Mavignier, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI) da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), destacou a realidade encontrada pelas autoridades nos municípios do Amazonas.
“Estamos prendendo muitos abusadores sexuais, tanto em Manaus quanto no interior. No interior, temos uma média de uma prisão por dia. Esses crimes sempre aconteceram, mas agora estão sendo priorizadas as prisões de abusadores sexuais para proteger a infância das crianças do interior do Amazonas”, concluiu.
Ele aponta para necessidade de pais e responsáveis redobrarem a atenção. “A internet hoje é uma porta aberta para aliciadores, para abusadores, que ficam monitorando as crianças que por ela passam”, afirmou o delegado ao reforçar que a “criança não é para produzir conteúdo, porque onde ela publica vai ter sempre o pedófilo tentando aliciar”.
Nos últimos três anos, o Amazonas apresentou um aumento de 184% nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Entre 2021 e 2023, as ocorrências passaram de 321 para 914, conforme aponta o estudo “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, divulgado em 14 de agosto pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Ferramenta perigosa
Segundo o delegado da PC-AM, a internet se tornou uma ferramenta perigosa quando usada por criminosos que buscam se aproximar do público infantil. Mavignier ressaltou que a exposição infantil em redes sociais representa um risco real e imediato, que pode evoluir para situações presenciais.
“A informação hoje é o melhor caminho para a gente prevenir, porque não pensem que o aliciamento do abusador sexual ele fica só na tela. Em alguma oportunidade ele vai tentar marcar um encontro, uma aproximação com essa criança, e esse contato ele pode ser fatal, trazendo um trauma para o resto da vida da criança”, afirmou o diretor.
A orientação é que pais acompanhem de perto o que seus filhos consomem e compartilham online. “É importante não expor, fiscalizar as redes sociais, acompanhar os celulares, saber o que eles estão vendo e com quem estão conversando. Também é essencial usar o controle parental para restringir o acesso a determinados conteúdos”.

Adultização exposta
Sobre o caso que viralizou com o influenciador Felca, Mavignier frisou que a responsabilidade não recai apenas sobre os criminosos que produzem o material, mas também sobre quem o consome. “É a mesma coisa de você ver um crime acontecendo e não relatar. Nós temos que criar o hábito de denunciar e levar ao conhecimento das autoridades”, declarou.
O delegado também fez um alerta contra grupos que tentam normalizar a pedofilia. “Existem pessoas que defendem isso como se fosse uma orientação sexual. Mas é uma prática que que vai custar a vida de uma criança, destruir a mente, uma infância. Isso nós não vamos permitir. As nossas crianças são prioridade para aa Polícia Civil”, reforçou.
Denúncias
Entre os canais de denúncia, Mavignier destacou o Disque 100, o número 181 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e o 180, além da possibilidade de procurar diretamente o Conselho Tutelar e as delegacias da Polícia Civil. Na capital, a Delegacia Especialializada na Proteção de Crianças de Adolescentes (Depca) realiza essas investigações.






