Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Enquanto mães recorrem às redes sociais para denunciar merendas “secas”, de baixo valor nutricional nas escolas municipais, a Prefeitura de Manaus já desembolsou R$ 2,49 milhões na compra de pitaya para a alimentação dos alunos. A informação consta no Portal da Transparência do município.
Nas redes sociais, o perfil Mães pela Educação tem ganhado visibilidade ao expor a rotina alimentar de milhares de crianças da rede municipal.
Segundo o grupo, a gestão do prefeito David Almeida (Avante) mantém um cardápio repetitivo, pobre em nutrientes e inadequado para crianças pequenas.
Entre as reclamações mais frequentes estão:
- Refeições secas, sem feijão, caldo ou acompanhamento adequado;
- Mingaus feitos com produtos ultraprocessados baratos, como milharina;
- Falta de variedade e ausência de alimentos frescos.
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O grupo ressalta que as críticas não se dirigem às merendeiras:
“Elas fazem milagre com o pouco que recebem. O problema é a falta de compromisso com a alimentação das crianças. Isso não é nutrição, é desrespeito com o futuro da nossa cidade”.
As publicações incluem fotos enviadas por mães e profissionais da educação. Em uma creche no Cidade de Deus, crianças receberam suco com cream cracker como merenda.

Em outra unidade, uma refeição composta apenas por arroz, carne moída e farinha foi classificada pelos pais como perigosa, especialmente para alunos menores.

Já na Escola Municipal Júlio César de Moraes Passos, no Cidade Nova, o cardápio do dia foi apenas mingau com farinha de tapioca.César de Moraes Passos, localizada no Cidade Nova foi servida na segunda-feira, 24/11, um mingau com farinha de tapioca.
Contratos milionários para compra de pitaya
Os contratos foram firmados com a microempresa Frutaya – Toca da Pitaya, registrada no bairro Coroado e criada em 2020.
Apesar de ter como atividade principal o comércio de hortifrutigranjeiros, o CNPJ da empresa inclui uma longa lista de atividades secundárias, que vão de serviços de engenharia a transporte rodoviário de cargas, além de comércio de plantas e flores. O sócio-administrador é Cleber Adauto de Medeiros.
O primeiro contrato, nº 055/2024, prevê o fornecimento de 70 mil pitayas ao preço unitário de R$ 24,99, totalizando R$ 1.749.300,00. A vigência vai de agosto de 2024 a agosto de 2025.

O segundo contrato, nº 009/2025, segue o mesmo valor unitário e contempla a compra de 30 mil unidades, com início em abril de 2025 e validade até agosto de 2026.

Ambos foram firmados pela Semed e estão entre os contratos mais recentes da gestão de David Almeida voltados à merenda escolar.
Preço da pitaya no mercado chama atenção

Em um dos supermercados verificados pelo Portal Rios de Notícias, a pitaya vermelha é encontrada por cerca de R$ 14,00 a unidade, quase metade do valor pago pela Prefeitura. O quilo da fruta custa aproximadamente R$ 39,99.






