Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou a criação de novas secretarias e a expansão de outras pastas durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 10/2, logo após a abertura dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Entre as mudanças anunciadas, a Fundação Manaus Esporte (FME) será transformada em secretaria. Além disso, haverá expansões na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), na Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) e na Defesa Civil. O prefeito adiantou que outras mudanças devem ser detalhadas na mensagem governamental a ser enviada à CMM para aprovação dos vereadores.
“A Fundação Manaus Esporte será transformada em secretaria. Também vamos criar uma nova subsecretaria dentro da Secretaria de Segurança Pública, devido aos grandes investimentos que receberemos. Com isso, precisaremos ampliar a Semseg, que atualmente conta com 18 servidores comissionados. Será necessário aumentar essa estrutura. Além disso, vamos expandir a Semcom, reduzindo a terceirização de serviços, que hoje têm um custo elevado, para realizá-los internamente. A Defesa Civil também será fortalecida e ampliada. Isso é o que lembro no momento, mas há muitas outras mudanças previstas”, declarou David Almeida.
Impacto político da reforma administrativa
A reestruturação administrativa movimenta o cenário político no início do ano. A Fundação Manaus Esporte, que deve se tornar a Secretaria de Esporte, é liderada por Joel Silva, irmão do vereador Joelson Silva (Avante), uma das principais lideranças do partido na cidade. Além disso, Joel Silva é pastor da Assembleia de Deus no bairro Compensa 2 e tem ligação com Jonatas Câmara, irmão do deputado federal Silas Câmara (Republicanos).
Com a transformação em secretaria, a pasta ganhará maior autonomia orçamentária, diferentemente da situação atual, em que está vinculada à Secretaria Municipal de Educação (Semed) e depende de seus recursos. O novo status também garantirá ao gestor o cargo de secretário, com direito a subsecretários e possíveis novos cargos para compor a estrutura organizacional.
Aumento de cargos
Na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), a reforma prevê a criação de novos cargos e uma subsecretaria, que incluirá um secretário executivo. Essa estrutura pode ser utilizada para acomodar aliados políticos.
Já a ampliação da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) chama atenção, principalmente pelo orçamento superior a R$ 200 milhões e pelos contratos milionários frequentemente questionados. Um dos contratos mais polêmicos foi firmado com a Agência de Interatividade e Marketing LTDA (I Marketing), no valor de R$ 19 milhões, para gerenciar toda a comunicação da secretaria, incluindo contato com a imprensa e produção de conteúdo para as redes sociais da prefeitura.
Esse contrato gerou críticas por prever pagamentos que variavam entre R$ 10,6 mil e R$ 99,5 mil para influenciadores digitais divulgarem ações da prefeitura. O prefeito justificou que a ampliação da Semcom visa reduzir a dependência de terceirizações, internalizando os serviços de comunicação.
Outro anúncio relevante foi a ampliação da Defesa Civil, que atualmente conta com um orçamento modesto de R$ 56,1 milhões. A pasta tem sido alvo de críticas devido às dificuldades no atendimento a áreas de risco, especialmente durante o período chuvoso. Em janeiro, um deslizamento no bairro Redenção resultou na morte de um pai e sua filha, evidenciando a necessidade de reforço nas ações preventivas e emergenciais da secretaria.
Possíveis impactos no orçamento público
Apesar dos anúncios, o prefeito não detalhou os impactos financeiros da ampliação das secretarias. O aumento no número de cargos comissionados pode gerar o crescimento da folha de pagamento e o risco de comprometer recursos destinados às atividades fim de cada secretaria.
Além disso, a nomeação de comissionados, que são de livre escolha do gestor, levanta suspeitas sobre indicações políticas em detrimento de critérios técnicos, reforçando a possibilidade de uso político desses cargos.
A proposta de reforma administrativa será encaminhada à CMM, onde deverá ser debatida e votada pelos vereadores.






