Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, durante uma operação militar de grande escala conduzida pelos Estados Unidos neste sábado, 3/1, gerou repercussão no cenário político do Amazonas. Parlamentares e lideranças locais se dividiram entre apoio à ação americana e críticas ao que classificam como violação da soberania venezuelana.
Em vídeos publicados nas redes sociais, o vereador de Manaus Coronel Rosses (PL) afirmou que a queda do regime venezuelano era inevitável. Para ele, o episódio marca o fim de uma ditadura que, segundo disse, impôs censura, perseguição política e miséria ao povo venezuelano. O parlamentar declarou solidariedade à população do país vizinho e defendeu que os responsáveis por “crimes brutais” respondam à Justiça.
Rosses também avaliou possíveis impactos diretos para o Brasil e para o Amazonas. Segundo ele, “a normalização institucional da Venezuela, o Distrito Industrial de Manaus pode ganhar um novo fôlego. Mas para isso, se exige uma gestão competente, seriedade e visão de futuro”.
Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de reforço na segurança das fronteiras, diante da possibilidade de aumento do fluxo migratório, inclusive de aliados do regime deposto.
Já o deputado federal Alberto Neto (PL), em declaração pública na internet, afirmou esperar que “todos os ditadores da América Latina, sejam eles presidentes ou juízes, tenham o mesmo destino”, em referência indireta ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), também se manifestou com um discurso mais amplo e político. Segundo ela, a história recente da Venezuela demonstra que “o poder que não escuta o povo está condenado a ruir”. Maria do Carmo relembrou o êxodo de milhões de venezuelanos, muitos deles acolhidos em Manaus, e associou a experiência do país vizinho aos riscos de concentração de poder no Brasil e no Amazonas.
Para a professora, ditadura não é um conceito abstrato, mas uma realidade marcada por fome, medo e ausência de liberdade. Ela afirmou que o caso venezuelano deve servir de alerta e criticou o que chamou de “ditadura do poder judiciário”, defendendo que quem deve proteger o povo não pode agir de forma arbitrária, imoral ou ilegal.
Críticas a ação militar
O vereador Zé Ricardo (PT) condenou a ação dos Estados Unidos. Segundo ele, a ofensiva militar teria sido motivada por interesses no petróleo venezuelano e não por valores democráticos. Para o parlamentar, trata-se de uma “agressão à soberania” da Venezuela, com bombardeios e o sequestro do presidente e de sua esposa, sem qualquer relação com a princípios democracias.
Por causa de petróleo e dos interesses de indústrias petrolíferas dos EUA, Trump e suas forças armadas invadem a Venezuela, bombardeiam cidades e sequestram o presidente Maduro e sua esposa.
— Zé Ricardo (@ZeRicardoAM) January 3, 2026
Nada tem haver com democracia ou o povo.
É uma agressão à soberania do país e seu povo.
A liderança indígena Vanda Witoto (Rede) também criticou a operação. Em vídeo publicado nas redes sociais, com imagens de manifestações na Venezuela, ela declarou solidariedade ao povo venezuelano e classificou os atos como uma forma de resistência ao que chamou de “governo imperialista de Trump”.












