Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Polícia Civil do Amazonas trouxe novos elementos sobre a investigação da morte do menino Benício Xavier, de seis anos, nesta segunda-feira, 23/3, e afirmou que o vídeo apresentado pela médica Juliana Brasil à Justiça foi adulterado com o objetivo de induzir a erro.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, a conclusão surgiu após a análise do celular da investigada, apreendido durante mandado de busca e apreensão. “Na extração surgiram informações de que o vídeo apresentado ao Tribunal de Justiça se tratava de um vídeo alterado, palavras da própria médica em mensagens no celular”, afirmou.
Segundo o delegado, as conversas indicam que a própria médica teria articulado a produção do material. “Ela indicava ali que teria comprado esse vídeo. Nas mensagens, identificamos que ela contatou outra médica, que sugeriu pagamento a um profissional de saúde de outro hospital para produzir o vídeo já adulterado”, explicou.
A investigação também aponta a participação de terceiros, incluindo a irmã da médica, a estudante de medicina Geovana Brasil, e outra profissional. “Há registros de conversas em que elas organizam essa situação do vídeo”, disse Martins. Geovana prestou depoimento, mas optou por permanecer em silêncio. De acordo com o seu advogado de defesa, ela não tem nada a ver com o processo e nem estava no hospital.
O conteúdo do vídeo, segundo a polícia, tentava atribuir a responsabilidade do erro a uma falha no sistema hospitalar. “Esse vídeo mostraria que a troca da via de administração da adrenalina teria ocorrido por erro do sistema. Quando, na verdade, a perícia comprovou que não houve nenhum erro”, destacou o delegado.
Ainda conforme Martins, o sistema foi submetido a diversas análises técnicas. “A perícia foi ao hospital por várias vezes e comprovou que o sistema funcionava normalmente. O erro foi da própria médica, tanto que houve a necessidade de alterar o vídeo para sustentar essa versão”, afirmou.
Para a Polícia Civil, há indícios claros de fraude processual. “Essa circunstância configura o crime de fraude processual, que agora também passa a ser apurado no inquérito”, disse.
O delegado também atualizou o andamento das investigações e disse que seguem aguardando o laudo do Instituto Médico Legal. “Os depoimentos foram encerrados hoje. Neste momento, falta apenas o laudo do Instituto Médico Legal para finalizarmos o inquérito”, informou. Segundo ele, a data marca quatro meses desde a morte da criança.
Sobre a linha de defesa da médica, que aponta possível responsabilidade da equipe da UTI, a autoridade policial ponderou que é a afirmação dos advogados, mas que o laudo será fundamental. “Essa é uma tese da defesa, mas o que será determinante agora são os laudos, que vão indicar a participação de eventuais erros e sua contribuição para o resultado final”, ponderou.
Relembre o caso
Benício Xavier morreu no dia 23 de novembro de 2025, após receber doses de adrenalina por via intravenosa durante atendimento médico em um hospital particular de Manaus. Segundo as investigações, a via e a dosagem aplicadas não eram indicadas para o quadro clínico da criança.
Após a medicação, o menino apresentou piora rápida, com queda na oxigenação e paradas cardíacas. Ele chegou a ser transferido para a UTI, mas não resistiu.
O caso segue sendo acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas, enquanto a polícia aguarda os laudos finais para concluir a investigação.






