Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Polícia Federal conduziu uma operação nesta sexta-feira, 20/10, para apurar o uso inadequado de um software de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). De acordo com a PF, servidores da Abin teriam utilizado esse software para invadir repetidamente as redes de telefonia e acessar os dados de localização de alvos específicos.
A investigação também identificou que dois dos suspeitos usaram o conhecimento sobre a falha do sistema como meio de coerção indireta para evitar demissões.
A operação incluiu 25 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal. Até o momento, dois servidores suspeitos de coerção, Rodrigo Colli e Eduardo Arthur Yzycky, foram presos.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento de Paulo Maurício Fortunato Pinto, atualmente o terceiro na hierarquia da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Pinto atuou como diretor de Operações de Inteligência da agência, área responsável pela aquisição e operação do software de monitoramento de celulares.
Ademais, Pinto foi mantido como secretário de Planejamento e Gestão, o terceiro cargo mais alto na estrutura da Abin, apesar da troca de liderança na agência após a posse do atual chefe, Luiz Fernando Corrêa.
O software chamado FirstMile foi adquirido pela Abin em 2018, no fim da gestão de Michel Temer, por R$ 5,7 milhões, sem a realização de licitação. O FirstMile permite rastrear os dados de GPS de indivíduos, com base nas informações transmitidas de seus celulares para torres de telecomunicações.
Servidores da Abin utilizaram o software nos três primeiros anos do governo Bolsonaro sem um protocolo oficial ou autorização judicial para o monitoramento de alvos específicos.
O programa possibilitava consultas de até 10 mil celulares a cada 12 meses e permitia a criação de alertas em tempo real para notificar sobre a movimentação dos alvos em diferentes locais.
A operação da PF está centrada na investigação de atividades irregulares e busca responsabilizar os envolvidos. Até o momento, tanto a Abin quanto as defesas dos alvos da operação não se manifestaram sobre o caso.






