Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ator em formação e influenciador indígena, Libardo Martinez, publicou nas redes sociais um alerta sobre acidentes envolvendo afogamentos nas proximidades do município de São Gabriel da Cachoeira, a cerca de 830 quilômetros de Manaus.
O indígena chamou a atenção para a recorrência de desaparecimentos nesse trecho do Rio Negro. Ele destacou ainda os ensinamentos dos povos indígenas sobre o respeito às águas, mencionando a lenda da Cobra Grande, tradicional na cultura local.
“Aqui em São Gabriel da Cachoeira, pessoas, inclusive crianças, estão desaparecendo sempre no mesmo local da praia. Nós, povos indígenas, aprendemos desde cedo a respeitar o rio. Pra nós, esse trecho não é só água, existe uma história antiga, da cobra grande que habita ali. Alguns chamam de lenda, mas toda lenda nasce de um aviso”, disse ele.
Lutador morre afogado
O influenciador citou como exemplo o caso do ex-lutador baiano Gerônimo “Mondragon” dos Santos, de 45 anos, que morreu após desaparecer enquanto tomava banho em uma praia às margens do Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira.
Natural de Feira de Santana, “Mondragon” chegou a ser campeão mundial de MMA na categoria peso-pesado, construindo uma carreira de destaque nos ringues Brasil afora. Atualmente, ele ocupava o cargo de subsecretário de Segurança da Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira.
Libardo ressaltou que, mais do que crença ou superstição, o alerta envolve prevenção, respeito à cultura indígena e responsabilidade do poder público, especialmente diante de mortes e desaparecimentos recorrentes no município.
“Independentemente da crença, o fato é um só. As pessoas continuam sumindo naquele ponto. Se desaparecimentos acontecem repetidamente no mesmo lugar, isso não é coincidência. Isso é risco. Respeitar a cultura é respeitar a vida. E prevenir é melhor do que lamentar. E lembre-se, o rio avisa, cabe a nós escutar”, disse ele.
Além disso, Libardo mencionou a necessidade de que representantes estejam atentos a esses casos, com a instalação de placas e orientação à população.
“Nossos governantes já deveriam ter olhado para essa situação com mais atenção. Placas de aviso, informação clara, orientação para a população. Porque quando vidas estão sendo perdidas, o silêncio também se torna responsável”, explica Libardo.






