Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores da rua Ladário, no Conjunto Canaranas II, bairro Cidade Nova, zona Norte da capital, tiveram suas residências demolidas após uma cratera atingir várias casas na região.
Segundo relatos, o risco ainda persiste, e famílias continuam recebendo cobranças de IPTU mesmo sem terem mais moradia no local.

O morador Édson Galvão afirmou que as casas atingidas pela cratera foram adquiridas de forma regular e pagas com esforço das famílias, negando qualquer ocupação irregular. Segundo ele, após a demolição dos imóveis, os moradores passaram a viver de aluguel social, enquanto a prefeitura realiza obras no local.
“Essas casas não foram doadas, nós não invadimos. Elas foram compradas e pagas com o nosso suor. Então, é mais do que obrigação dessas autoridades resolverem esse problema. Para você ter uma ideia, a gente paga todos os nossos impostos. Mesmo com a minha casa demolida, o IPTU de 2026 chegou, e já estão cobrando, inclusive com atraso. Como vou pagar IPTU se nem casa eu tenho mais?”, relatou Édson.

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No entanto, ele critica também a demora e a falta de informações sobre o andamento dos processos, relatando desencontro entre órgãos como a PGE e a Suhab.
“Isso é um absurdo, falta organização, falta administração. Como a população de Manaus pode viver dessa forma? Eles sabem da situação, foram eles mesmos que demoliram minha casa, porque ela ficou comprometida pela cratera”, afirmou o morador.
‘Perder a casa não é fácil’
Emocionada e com sentimento de frustração, Glenda Monteiro, moradora e uma das vítimas da cratera, afirmou em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que atualmente vive de aluguel após ter a residência demolida devido aos riscos constantes na região.

Ela relatou que o problema se agravou por falta de manutenção por parte da Prefeitura de Manaus.
“Isso é uma humilhação que nós estamos passando, fora o psicológico de cada um, que está muito abalado. Perder uma casa não é fácil, porque você lutou para construir. Acho que eles deveriam olhar mais pela gente, porque ninguém invadiu. Nós compramos dignamente aqui no conjunto. Ninguém morava à beira de barranco. Tinha rua, passava carro na frente da nossa casa”, desabafou.
Relembre casos
A exposição de moradores ao risco de deslizamentos de terra é um problema recorrente na região. Em 19 de março de 2025, a liderança comunitária Sammya Costa Maciel, de 48 anos, morreu durante um deslizamento de terra no bairro Alfredo Nascimento, na zona Norte da capital.
De acordo com testemunhas, a vítima estava em busca de ajudar os moradores a deixarem suas casas no momento do deslizamento.






