Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O artista plástico e empreendedor do segmento cenográfico Elizandro Alves, natural de Parintins (AM), foi duplamente premiado no Salão de Arte Moderna, realizado na sede da Associação Paulista de Belas Artes (APBA), em São Paulo. As premiações ocorreram nos dias 27 de novembro e 10 de dezembro, com a participação de artistas de diversos estados brasileiros. A cerimônia oficial de entrega das honrarias foi realizada no dia 13 deste mês.
Além do reconhecimento no Salão de Arte Moderna, Elizandro também se destacou no Salão Livre Belas Artes, realizado em março de 2025, onde recebeu a medalha de bronze pela obra “Amazônia Barroca”, produzida em óleo sobre tela. O evento celebra o aniversário de fundação da APBA, que completa 83 anos de história e já contou com a participação de nomes consagrados das artes visuais brasileiras, como Anita Malfatti, Alfredo Volpi e Elisabeth Sekulic.
Em entrevista exclusiva ao Portal Rios de Notícias, o artista ressaltou a importância da premiação. “É um evento cultural que homenageia a trajetória da Associação Paulista de Belas Artes, uma instituição fundamental para a história das artes visuais no Brasil”, afirmou.

Arte sacra e espiritualidade
Entre as obras premiadas está a escultura sacra “Tetelestai”, com 1,20 metro de altura. O título tem origem grega e significa “está consumado”, expressão atribuída às últimas palavras de Jesus Cristo na cruz, simbolizando, segundo o artista, o cumprimento pleno da obra de redenção da humanidade.
Elizandro destaca que o processo criativo da obra está profundamente conectado à espiritualidade. “A mensagem central são os ensinamentos do Mestre Jesus Cristo. A inspiração artística não nasce apenas do intelecto, mas da emoção e da cognição; é um processo metafísico”, explicou.
Admirador declarado do Nazareno, o artista afirma que, em linguagem contemporânea, Jesus é o seu principal “influencer”.
Mente inquieta e raízes amazônicas
O interesse pela arte surgiu ainda na infância, por volta dos nove anos, quando Elizandro começou a fazer suas primeiras experiências com desenhos. Ao longo da trajetória, passou a dialogar com diferentes vertentes artísticas, como a arte clássica, renascentista e barroca.

Radicado em São Paulo há mais de uma década, o artista explica que a mudança foi motivada pela busca constante por conhecimento. “Sou um aprendiz ambicioso, com uma mente inquieta e curiosa, interessado não apenas em arte, mas também em filosofia e teologia”, destacou.
Apesar da longa permanência fora do estado, Elizandro mantém uma forte ligação com o Amazonas. “Volto várias vezes ao ano, especialmente a Manaus. É uma ponte constante entre os dois estados. Não tem como ficar longe: sou inundado de amazonismos e de amazonidade”, concluiu.






