Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ex-gerente de Hospitais e Fundações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Michael Lemos, fez uma denúncia afirmando que, no Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, está sendo cobrada taxa para utilizar a rede Wi-Fi da unidade.
Segundo registros nas redes sociais, o ex-gerente relata que, ao tentar se conectar à rede Wi-Fi do hospital, o sistema solicita que o usuário escolha o tempo de permanência, 1h, 2h ou 12h. Em seguida, é gerado um QR Code, e pacientes ou acompanhantes precisam efetuar pagamento para ter acesso à internet.
“Hospital João Lúcio, nas unidades de saúde pública do estado da Amazônia, padrão Delfina do governador Wilson Lima, existe corrupção de várias maneiras. Vou ligar meu Wi-Fi, procurar as redes. Para entrar vão pedir aqui para eu fazer um cadastro, eu tenho que escolher qual é a melhor internet para mim. Uma hora o valor é R$ 3, existem diversos planos”, afirma ele.
Michael Lemos afirma também que, na unidade hospitalar, existe um bloqueador de sinal, o que dificultaria o uso de dados móveis por pacientes e acompanhantes. A unidade é administrada pela Organização Social de Saúde (OSS) Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS).
“Dentro do João Lúcio, existe um bloqueador de sinal que, quando você entra, o sinal fica péssimo, fazendo com que você procure redes de Wi-Fi. Isso é uma corrupção muito grave, bloqueando o sinal das pessoas, dos pacientes e dos funcionários. Pagar para usar a internet, isso é lavar dinheiro dentro do Hospital Público do Estado do Amazonas”, disse o denunciante.
Outros pacientes também relatam nas redes sociais a cobrança pelo uso do Wi-Fi: “Meu celular parou de funcionar de vez, me falaram que existe esse tal bloqueador por causa das máquinas. Tive que comprar internet porque não tem como ficar sem me comunicar com os parentes”, disse um deles.
“Chega a ser inacreditável uma coisa dessa, mas se tratando do Amazonas, com esse governador que nós temos”, e “Eu paguei R$ 10 por 12 horas, infelizmente estava precisando”, relatou um terceiro paciente.
A cobrança de rede Wi-Fi dentro de hospitais não é considerada crime penal, como furto ou roubo, mas pode ser configurada como prática abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
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Gestão do complexo hospitalar
A gestão dos serviços de saúde do Complexo Hospitalar Leste (CHL), que engloba o Hospital João Lúcio e o Hospital e Pronto-Socorro da Criança, conhecido como Joãozinho, está sob responsabilidade do Instituto IDEAS desde outubro de 2025.
O instituto venceu edital lançado em agosto de 2025 pela Secretaria de Estado de Saúde, por meio do Chamamento Público nº CP 002/2025. O contrato firmado tem valor global aproximado de R$ 1,96 bilhão, com vigência prevista de cinco anos.
O processo contou com a participação de seis organizações de diferentes regiões do país. Atualmente, o IDEAS atua na gestão de unidades e sistemas de saúde em sete estados brasileiros.
O Portal Rios de Notícias entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e com o Instituto IDEAS para esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.






