Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador e pré-candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), afirmou durante uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, realizada na quarta-feira, 13/8, que “as pessoas não são contra os narcotraficantes”, ao comentar a atuação do crime organizado nas comunidades do estado.
Aziz, que já ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública do Amazonas, abordou o avanço da criminalidade nas periferias e sugeriu que, apesar dos crimes cometidos, narcotraficantes oferecem algum tipo de “assistência” às comunidades onde atuam. Segundo ele, essa presença se intensificou após o Estado ter deixado essas áreas desassistidas.
“Se você pegar uma pesquisa, as pessoas não são contra os narcotraficantes”, declarou o senador. “Se a pessoa precisa de uma vingança, se a filha é molestada, elas vão procurar o chefe do narcotráfico”, completou, atribuindo a responsabilidade pela situação aos governos estadual, federal e municipal.
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As declarações repercutiram por supostamente relativizarem a gravidade do narcotráfico, atividade ligada a crimes como homicídios, tráfico de armas, aliciamento de menores e desestruturação de famílias. Em outro momento da sabatina, Omar Aziz afirmou: “O narcotraficante não mata inocentes”.
O senador também destacou sua experiência na área de segurança pública e reconheceu que o Amazonas está entre os estados com maior incidência de crimes relacionados ao tráfico de drogas. Ele criticou a ineficiência dos órgãos de segurança na região e afirmou: “O Alto Solimões é uma fronteira sem eira nem beira”.
Senador minimiza presença de plantação de maconha
Ainda durante sua fala, o parlamentar minimizou a presença de plantações ilegais de maconha na Amazônia Legal. “O que tem aqui é uma plantaçãozinha de maconha ou outra ali”, afirmou.
A fala contradiz dados oficiais e investigações jornalísticas. Um relatório publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou que, entre 2019 e 2020, centenas de áreas de cultivo de Cannabis sativa foram identificadas nos estados do Maranhão, Pará e outras regiões da Amazônia Legal.
Segundo a Polícia Federal, apenas entre janeiro e julho de 2020, foram localizadas 303 áreas de plantio e destruídas mais de 983 mil unidades da planta.
Mais recentemente, em julho de 2025, a Polícia Civil do Amazonas prendeu um homem acusado de cultivar a chamada “supermaconha” em estufas na zona Norte de Manaus. Diversas mudas foram apreendidas durante a operação.






