Redação Rios
EUA – O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, venceu o prêmio de melhor filme em língua não inglesa no Globo de Ouro, superando concorrentes de peso como o norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier, e Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi.
Wagner Moura também foi premiado, escolhido como melhor ator em filme de drama. A cerimônia da 83ª edição da premiação foi realizada na noite de ontem, em Los Angeles. O longa brasileiro concorria ainda na categoria de melhor filme de drama, cujo troféu ficou com Hamnet.
“Esse é um momento importante para se fazer filmes”, disse Mendonça Filho ao receber o prêmio no palco. “Dedico esse prêmio aos jovens cineastas. Façam filmes”, completou.
Antes do início da cerimônia, no tapete vermelho, o diretor brasileiro falou sobre sua visão a respeito da obra. “Nosso país tem um problema com memória. Muita gente diz que é um filme sobre memória, mas acho que é um filme sobre amnésia. O brasileiro, o francês, os alemães, os australianos, os americanos – todos estão entendendo muito bem o filme. Ele tem se tornado muito universal por falar de poder, do poder tentando esmagar alguém, e também de como a memória é abandonada, esquecida”.
Leia também: Atriz de Cheias de Charme e No Rancho Fundo, Titina Medeiros morre aos 48 anos
Wagner Moura também destacou o que considera uma das principais qualidades do longa. “Muitos filmes políticos se perdem porque o discurso vem antes da humanidade. Quando é o contrário, não tem jeito: as pessoas olham para aquela personagem e se reconhecem. Quando você vê uma obra que te transforma, isso é política. Eu gosto de cinema político, e esse filme é”, afirmou.
Rose Byrne, por Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, repetiu o feito do Critics Choice Awards e venceu na categoria de melhor atriz em comédia ou musical, superando concorrentes como Emma Stone, de Bugonia.
O prêmio de melhor ator em comédia ou musical ficou com Timothée Chalamet, que vem acumulando vitórias e já é apontado como favorito ao Oscar. Ele superou veteranos como Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra), George Clooney (Jay Kelly), Ethan Hawke (Blue Moon) e Lee Byung-hun (A Última Saída). Em seu discurso, Chalamet destacou a força da categoria: “Estou concorrendo com alguns dos grandes. Admiro todos vocês”, disse.
Teyana Taylor, por Uma Batalha Após a Outra – filme que rendeu a Paul Thomas Anderson o prêmio de melhor direção -, venceu como melhor atriz coadjuvante e afirmou que “o amor é uma ação, não apenas uma palavra”.
Na sequência, Stellan Skarsgård, eleito melhor ator coadjuvante por Valor Sentimental, defendeu a experiência das salas de cinema. “Quando as luzes se apagam, você começa a compartilhar a respiração com os outros. É algo mágico. Cinema deve ser visto no cinema”, declarou.
Nas categorias de televisão, Jean Smart conquistou pelo segundo ano consecutivo o prêmio de melhor atriz em comédia. Entre os atores dramáticos, venceu Noah Wyle, pelo trabalho na série The Pitt.
O prêmio de melhor ator em comédia ficou com Seth Rogen, por O Estúdio. Owen Cooper, jovem astro de Adolescência, foi escolhido melhor ator coadjuvante em filme para TV ou série limitada. Da mesma produção, Stephen Graham venceu como melhor ator, enquanto Michelle Williams levou o prêmio de melhor atriz, por Morrendo por Sexo.
Apresentadora da cerimônia, Nikki Glaser fez piadas sobre a beleza de Jennifer Lawrence, a idade da namorada de Leonardo DiCaprio e chegou a “conceder” o prêmio de melhor edição ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em referência às partes editadas dos diários de Jeffrey Epstein.
*Com informações da Agência Estado












