Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A proposta de municipalização do aplicativo Buracômetro, feita pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania), foi ignorada pela Prefeitura de Manaus. Segundo o parlamentar, a ferramenta poderia ajudar na identificação e no monitoramento de problemas de asfaltamento na capital, que vêm aumentando nos últimos anos.
A crítica foi feita nesta segunda-feira, 21/7, durante o lançamento do 3º Edital Participativo de Emendas Orçamentárias do Amazonas, voltado a projetos na área da saúde.
“No ano passado, durante a campanha, eu apresentei ali como proposta, para que a gente pudesse municipalizar esse aplicativo, que não fosse mais um aplicativo do Amom, e para que a gente pudesse justamente utilizar equipamentos para medir a trepidação e a qualidade das ruas”, afirmou Amom.
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Tecnologia já usada em outras capitais
O deputado destacou que a tecnologia já é usada com sucesso em cidades como Recife (PE) e Florianópolis (SC). “Hoje nós vemos ali a Prefeitura de Manaus apresentando como se fosse algo inédito e falando em uma multinacional. Na prática, o João Campos (prefeito de Recife) faz isso a um custo baixíssimo, sem precisar de nenhuma multinacional e com tecnologia brasileira”, destacou.
Para Amom, a ausência de retorno por parte da Prefeitura é um sinal de descaso com soluções acessíveis e eficazes, onde tecnologias semelhantes já são utilizadas no Brasil, sem a necessidade de contratação de multinacionais.
Ele também questionou a falta de transparência na iniciativa apresentada recentemente pelo vice-prefeito Renato Júnior (Avante). “Nunca houve nenhuma resposta. Isso é lamentável, porque a Prefeitura tem a possibilidade de fazer isso a custo zero ou através de uma parceria com, por exemplo, a Prefeitura de Recife ou a Prefeitura de Florianópolis”.
Anúncio com IA causa polêmica
A fala de Amom ocorre após o vice-prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), anunciar, em entrevista a uma rádio local no dia 16 de julho, que a Prefeitura está negociando com uma empresa de alcance mundial para utilizar Inteligência Artificial (IA) no mapeamento de buracos nas ruas da capital.
De acordo com Renato, a tecnologia será instalada em veículos como carros de aplicativo, motos e ônibus, utilizando sensores para medir trepidação, filmar e identificar automaticamente a localização e o tamanho das crateras. As informações coletadas seriam usadas para gerar ordens de serviço para reparos.
A proposta, no entanto, virou alvo de críticas nas redes sociais e também foi contestada por Amom, que afirma já ter apresentado ideia semelhante, com custo zero para o município.
Segundo o parlamentar, a atual gestão tenta vender como novidade uma ideia que já havia sido apresentada anteriormente por ele. “Na prática, a gente vê aí o vice-prefeito, o prefeito em exercício, Renato Júnior, anunciando como se fosse algo inédito, e não é algo inédito no Brasil, e muito menos em Manaus, porque eu apresentei isso como proposta de campanha”.
Falta de transparência
Outro ponto levantado por Amom foi a ausência de informações públicas sobre o possível contrato com uma empresa privada. “É preciso mais transparência. A gente não sabe por quanto que eles querem contratar, nem qual é a empresa. E, já que ele falou que é uma multinacional, então já se depende ali que eles fariam uma espécie de dispensa de licitação ou de inexigibilidade”, alertou.






