Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “É um reencontro com a minha história. O Ney faz parte da minha identidade, de afirmação, de coragem”, disse Patrícia Mello, emocionada ao assistir pela primeira vez a um show do cantor Ney Matogrosso na capital amazonense.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS acompanhou, na última quinta-feira, 4/9, o show da turnê Bloco na Rua, que lotou o Studio 5. Aos 84 anos, Ney Matogrosso mostrou porque continua sendo um dos maiores intérpretes da música brasileira: vigor, teatralidade e uma entrega que já perpassa gerações.
Patrícia Mello, de 59 anos, esperou quase meio século para viver o momento. Ela levou consigo o anel da tia Marisa, que a apresentou ao cantor quando ainda era criança.

“Conheci Ney quando tinha 9 anos. Hoje, trago minha tia comigo neste anel. Ele sempre ensinou a ser quem somos, com consciência e coragem. Na ditadura, ele nos mostrou que era possível resistir com alegria. Por isso estar aqui é tão especial.”
Essa herança afetiva também se repete em outras famílias. O casal Felipe e Camila Margem assistia ao show pela quinta vez, mas nesta ocasião acompanhados das filhas Nina, de 17 anos e Júlia, 13 anos.

“Ele sobe no palco e se transforma, é um showman. Já vi várias vezes, mas hoje é diferente porque trouxe minhas filhas para viverem isso comigo”, contou Felipe.
Camila destacou o peso das canções em sua memória e identidade: “Yolanda me toca porque minha mãe amou e sempre ouve essa música. Também não tem como não se emocionar com Sangue Latino”, destacou a esposa.
Para a sua filha Nina, as lembranças começam ainda na infância: “Eu pedia para mamãe colocar ‘a música do lobisomem’. Sempre achei incrível. Depois fui conhecendo outras e cá estamos.”
Na plateia, a estudante Carolina Silveira, de 23 anos, também se emocionava com a primeira oportunidade de ver Ney ao vivo.
“Sempre ouvi por influência da minha mãe, mas depois do filme passei a sentir que era fã de verdade. Hoje estou realizando algo que faz parte da minha vida desde criança.”

Ao lado dela, a mãe, Maristela Silva, refletiu a paixão e a força de um artista que atravessa o tempo sem perder relevância e modernidade.
“O Ney perpassa gerações. Eu aprendi a ouvir com minha mãe e meus irmãos, passei para minha filha e agora estamos juntas. Quando ele canta, a gente quer dançar, quer chorar. Ele nos move e comove durante as apresentações.”


No palco, Ney resumiu em poucas palavras a emoção de rever Manaus: “Prazer inenarrável estar aqui”. No público, esse sentimento se multiplicava em histórias pessoais que confirmam o que já se sabe: Ney Matogrosso não é apenas parte da música brasileira, mas parte da vida de quem cresceu e continua crescendo ao som de sua voz.






