Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O salário mínimo necessário para a manutenção de uma família composta por quatro pessoas seria mais de cinco vezes o valor atual, em maio no Brasil. É o que indica a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicada nesta segunda-feira, 12/6.
O estudo aponta que o salário mínimo ideal seria de R$ 6.652, valor que seria 5,04 vezes maior que os atuais R$ 1.320. Em comparação com a projeção publicada pelo Dieese sobre o valor mínimo necessário para suprir uma família brasileira em maio de 2022, houve uma redução. Na época, o valor deveria ter sido R$ 6.535,40, enquanto o salário mínimo era de R$ 1.212.
Para a dona de casa Edina Meire, o que mais pesa no orçamento da família, que vive com um salário mínimo, é a alimentação. “Na verdade, está tudo caro”.
“O ovo que a gente comprava baratinho agora está caro. Tudo caro, como a farinha e a carne. Às vezes, a gente vai com R$ 200 ou R$ 300 e a gente não traz quase nada”
Edina Meire, dona de casa

Já o universitário Lucas Conrado mora sozinho na capital amazonense, e precisa suprir todas as necessidades com um salário mínimo. Assim como Edina, ele também vê grande parte salário indo para alimentação.
“É notório esse aumento no preço dos produtos, principalmente dos alimentos. Isso faz com que a gente passe as vezes necessidades porque temos contas para pagar, precisamos nos vestir, nos locomover, precisamos de um teto para dormir. Teve esse reajuste agora [do salário mínimo], mas ainda não é suficiente para ter qualidade de vida. A gente percebe que ao longo dos anos só vai piorando”
Lucas Conrado, universitário
A pesquisa do Dieese usa como base o preço dos alimentos básicos de 17 capitais. Também usa como fundamento a Constituição, que define que o salário mínimo precisa suprir as necessidades básica do trabalhador em saúde, educação, alimentação, moradia, previdência, vestuário, lazer e higiene.
Ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, o economista Origenes Martins destacou que há muitos anos o salário mínimo não atende o que foi estabelecido pela Constituição. “Não chega nem perto daquilo que a Constituição determina”.
“Realmente, hoje se o salário mínimo fosse aquilo que a Constituição determina seria na faixa de R$ 6 mil. No entanto se acostumou no Brasil com o governo determinar o valor mínimo para o salário. E isso foi sendo levado, não discutido e contestado. Então, essa lacuna entre o salário mínimo constitucional e o salário mínimo real foi cada vez mais aumentando”
Origenes Martins, economista
Das 17 capitais pesquisadas, em 11 o valor da cesta básica apresentou queda: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Campo Grande, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Natal, João Pessoa e Aracaju.
Cenário econômico

Conforme o economista Alison Rezende, o cenário econômico atual no Brasil é “extremamente complicado” para as famílias que vivem com apenas um salário mínimo, em razão da oscilação dos preços de produtos da cesta básica.
“Acaba dificultando a aquisição dos produtos básicos, a cesta básica, além de existirem outras necessidades das famílias, como vestuário, calçados, transporte e o pagamento das contas de consumo, água, luz, telefone, internet, entre outras”
Alison Rezende, economista
De acordo com Alison, o valor do salário mínimo do ano seguinte é calculado pelo Governo Federal no final do ano anterior a partir do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor (INPC), o qual mede o índice das cestas básicas e é usado para análises da inflação.
“Até 2019 a correção do salário mínimo era realizada a partir de uma fórmula baseada no Produto Interno Bruto, que é a soma das riquezas produzidas no país, dos 2 últimos anos e a inflação medida pelo INPC, que é calculado pelo IBGE. A partir de 2020 esse cálculo mudou e apenas o INPC foi tomado como base de reajuste”, disse o economista Alison Rezende.
Reajuste ideal do salário mínimo
O economista Alison Rezende afirmou que o valor do salário mínimo nunca vai alcançar a estimativa ideal do Dieese. “Pois, o governo federal estima que, para cada R$ 1 adicionado ao salário mínimo, as despesas se elevam em torno de R$ 315 milhões”.
“Este aumento é devido ao pagamento de benefícios da Previdência Social, do abono salarial e do seguro-desemprego, todos atrelados ao mínimo. Além do salário mínimo servir de base para reajuste salarial de diversas categorias do setor privado”.
Alison Rezende, economista
Já para o economista Origenes Martins, o aumento ideal do salário mínimo depende de vontade política. Também apontou a necessidade de reduzir altos salários de representantes políticos. “Se nós não tivermos vontade para acabar com esses custos, nós não temos condições de recuperar o valor do salário mínimo”.






