Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Algumas intervenções de trânsito foram realizadas em trechos das avenidas Constantino Nery e Djalma Batista, na capital amazonense. Com isso, surgiram diversas críticas sobre os resultados dessas alterações por parte de especialistas e das pessoas que passam pelo local diariamente.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o engenheiro de trânsito Manoel Paiva que comentou sobre as intervenções nos principais corredores viários de Manaus, que têm gerado gargalos após aumentarem o número de semáforos em ambas as vias.
“O trânsito, além de precisar de um estudo técnico e científico, lida com aquilo que é mais fundamental: o livre-arbítrio das pessoas e o poder que eu tenho de convencê-las do porque aquilo vai ser bom para elas. Não dá para você resolver um problema criando outros problemas”, declarou.
Leia mais: Intervenção na Constantino Nery retira sinal para pedestres; ‘Ninguém consegue mais atravessar’
Para ele, a antiga alça de acesso em frente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que foi convertida em duas faixas principais da avenida Constantino Nery e, que agora permite que os motoristas sigam direto para a Torquato Tapajós, prejudicou os pedestres.
“Neste trecho está muito difícil para o pedestre atravessar, inclusive como vocês mostraram em uma reportagem do Portal Rios. Ou seja, estão prejudicando as pessoas que definitivamente são mais importantes que os carros. Ano passado, a segunda categoria de pessoas que mais morreram no trânsito foi a dos pedestres”, alertou o especialista.

Manoel Paiva ainda questionou a criação de mais dois cruzamentos, com a instalação de semáforos, nos acessos das avenidas Djalma Batista e Constantino Nery, via rua Da Indústria. “Isso é básico em linha de trânsito: toda vez que eu coloco um semáforo, eu vou reter a fluidez da via”, apontou o engenheiro.
Falta de planejamento
Com as principais vias da cidade constantemente engarrafadas e um transporte público muitas vezes ineficiente, Manaus é um alvo das consequências de um problema comum, que perpassa por esses apontamentos: a falta de planejamento, como apontou o arquiteto e urbanista José Augusto Bessa.

“A mobilidade urbana é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida dos cidadãos de Manaus. No entanto, a falta de planejamento abrangente e ações coordenadas têm gerado questionamentos sobre as decisões tomadas para a gestão do tráfego na cidade”, declarou.
O profissional reforça que é essencial compreender Manaus e sua dinâmica urbana de forma holística, buscando soluções que respeitem a diversidade da população e as necessidades de deslocamento. Ele também questiona a atuação do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).
“O que falta para que esses mesmos órgãos convidem profissionais locais, aproveitando o conhecimento de especialistas da cidade? Uma abordagem multidisciplinar, que valorize especialistas locais e promova o diálogo entre diferentes setores da administração pública é indispensável para uma gestão eficiente na mobilidade”, completou.






