Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) esclareceu sua atuação no caso do acidente que tirou a vida de Talis Roque da Silva, em agosto de 2023, no bairro Vieiralves, em Manaus. A nota de esclarecimento foi emitida pela Procuradoria-Geral de Justiça do órgão.
Segundo o MP-AM, a condutora do SUV, a influenciadora Rosa Tavares, realizou uma manobra imprudente, atravessando repentinamente duas faixas da via. Essa ação surpreendeu a vítima, que não conseguiu evitar a colisão. O acidente ocorreu em 31 de agosto de 2023, por volta das 11h30.
O MP-AM explicou que o caso se configura como crime culposo, ou seja, sem a intenção de causar a morte. Por essa razão, a legislação prevê a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Este instrumento visa aplicar medidas alternativas à instauração de um processo criminal completo.
O órgão ressaltou que o ANPP é aplicável quando o acusado não possui antecedentes criminais, não representa perigo à sociedade e a pena prevista para o crime é inferior a quatro anos de reclusão. A intenção é promover uma justiça que responsabilize o indivíduo sem sobrecarregar o sistema prisional com casos de imprudência sem violência intencional.
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Audiência e Posicionamento
Em audiência realizada em 4 de setembro de 2025, a influenciadora aceitou a proposta do Ministério Público. O acordo foi encaminhado para a avaliação da Justiça, que detém a palavra final sobre sua homologação. Caso o juiz confirme o acordo e a motorista cumpra todas as condições estipuladas, o processo será encerrado.
Os pais da vítima foram notificados para participar da audiência, mas optaram por não comparecer. Por meio de seus advogados, manifestaram contrariedade à proposta e solicitaram ao juiz que não aceite o acordo, argumentando que a acusada não deve ficar sem punição.
Esclarecimentos sobre a Perícia e Velocidade
O MP-AM também fez questão de esclarecer que, contrariando notícias veiculadas, não houve perícia presencial no local do acidente. A análise técnica foi realizada exclusivamente com base em imagens de câmeras de segurança da região.
De acordo com o órgão, esses vídeos indicam que tanto a vítima quanto outra testemunha que trafegava na mesma via estariam em velocidade acima da permitida. Um relato de testemunha, ouvido em juízo, descreve que conseguiu reduzir a velocidade a tempo de evitar a colisão ao perceber a manobra da motorista. No entanto, Talis, que vinha atrás, não conseguiu frear a tempo e atingiu o SUV.
O Ministério Público reafirmou sua compreensão pela dor da família e lamentou a perda irreparável de uma vida. Contudo, enfatizou que seu dever é aplicar a lei de forma imparcial, inclusive em situações onde a justiça pode ser alcançada por meios alternativos como o ANPP.
O órgão reforçou seu compromisso em defender o valor da vida e buscar a pacificação social, sempre dentro dos limites da legislação. A decisão final sobre o caso agora está sob responsabilidade do Poder Judiciário.






