Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou um inquérito para investigar profissionais de saúde da Maternidade Ana Braga que estariam enfrentando sobrecarga de trabalho, insatisfação e síndrome de burnout. A denúncia foi publicada no Diário Oficial do órgão nesta segunda-feira, 3/11.
Segundo o documento, os problemas estariam relacionados a más condições de trabalho e falhas na gestão da unidade, causando sobrecarga e sintomas de burnout entre os profissionais.
A síndrome de burnout, ou esgotamento profissional, é um distúrbio emocional causado pelo estresse crônico no trabalho, caracterizado por exaustão extrema, baixa realização profissional e sintomas como cansaço físico e mental, dores de cabeça e irritabilidade.
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Inspeção na unidade
Durante uma inspeção realizada em agosto de 2025, o MP-AM constatou que a maternidade possui número insuficiente de enfermeiros e técnicos de enfermagem, o que prejudica tanto a qualidade do atendimento aos pacientes quanto a saúde da equipe.
Diante das constatações, a promotora de justiça Cláudia Maria Raposo da Câmara decidiu abrir o inquérito civil em 3/11. O objetivo é investigar a falta de profissionais de enfermagem na Maternidade Ana Braga e os impactos dessa deficiência na assistência aos pacientes e nas condições de trabalho da equipe.
A promotora determinou ainda:
- Que um servidor da 54ª Promotoria acompanhe e registre todos os passos da investigação;
- Envio de resumo da decisão para publicação no Diário Oficial do MP-AM;
- Encaminhamento de cópia do documento ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Cidadania (CAOPDC);
- Realização de audiência com representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES/AM) em dezembro de 2025 para discutir soluções.
Qualidade do atendimento
Em agosto deste ano, o riosdenoticias.com.br publicou denúncia de um casal sobre suspeitas de negligência e condutas médicas inadequadas na maternidade, que resultou na morte de uma recém-nascida em 17 de janeiro. Segundo a mãe, ela teria passado pelo parto sozinha na unidade, e a filha, embora tenha nascido viva, morreu sem receber os cuidados necessários.
O caso evidencia falhas na gestão apontadas pelo MP-AM e reforça a necessidade de investigação sobre a estrutura e o funcionamento da maternidade.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a SES-AM para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.












