Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Movimento Social “Todos Pela Saúde” denunciou publicamente o que classifica como uma grave violação ao direito constitucional à saúde no Amazonas. A denúncia aponta a retirada do atendimento pediátrico de hospitais estratégicos e a redução do quadro médico em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), afetando diretamente crianças e famílias em todo o estado.
De acordo com o movimento, a suspensão da pediatria nos hospitais Delphina Aziz e Platão Araújo, somada à diminuição de profissionais em UPAs e Serviços de Pronto Atendimento (SPAs), fere princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), como a universalidade, a integralidade e a equidade.
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Riscos à assistência infantil
Segundo Denison Vilar, socorrista e enfermeiro pós-graduado em UTI, a ausência de pediatras em unidades de urgência compromete o tempo de resposta e o socorro imediato, contrariando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança.
“A retirada da pediatria em unidades que atendiam as zonas Norte e Leste de Manaus gera atrasos na avaliação clínica, aumenta o tempo de espera e expõe crianças a riscos evitáveis”, aponta Vilar.
O enfermeiro ressalta que a estabilização de pacientes graves exige protocolos específicos, como o Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS), que ficam prejudicados sem a equipe especializada.

O gargalo no ‘Joãozinho’ e o uso de contêineres
Com a redução do atendimento na rede, o fluxo de pacientes tem sido direcionado ao Hospital e Pronto-Socorro da Criança (Joãozinho), na zona Leste. No entanto, a unidade encontra-se sobrecarregada.
A denúncia destaca o uso de estruturas improvisadas – contêineres – para abrigar pais e crianças que aguardam atendimento por longos períodos. “Crianças em situação de emergência necessitam de ambientes adequados. Salas de espera em contêineres não atendem aos critérios da Anvisa (RDC nº 50/2002) e agravam o sofrimento de pacientes e familiares”, revela o socorrista.
Impacto nas zonas periféricas
Vilar relata que moradores de áreas como Nova Cidade, Jorge Teixeira, João Paulo e Alfredo Nascimento são os mais prejudicados pelo aumento na distância do transporte. “Segundo a Rede de Atenção às Urgências (RUE), o atendimento deve ser oportuno. Longas distâncias e a espera por vagas configuram risco assistencial”, alerta.
Além da infraestrutura, o movimento aponta uma crise na gestão de pessoal:
- Atrasos salariais: Relatos indicam médicos e profissionais de serviços gerais com 3 a 6 meses de salários atrasados.
- Precarização: Ausência de concursos públicos e sobrecarga das equipes de enfermagem e médicos generalistas.
- Terceirização: Críticas à transferência de recursos para Organizações Sociais (OSs) sem a devida melhoria no acesso à ponta.
Reivindicações
O movimento “Todos Pela Saúde” exige o restabelecimento imediato da pediatria nos hospitais afetados e a recomposição das equipes médicas nas UPAs e SPAs. “A saúde pública do Amazonas foi ladeira abaixo. Acabaram com a carreira do profissional de saúde na SES-AM”, lamenta Vilar.
Posicionamento
O portal entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) solicitando esclarecimentos sobre a retirada dos serviços pediátricos, o uso de contêineres no Hospital Joãozinho e os atrasos salariais citados. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação do órgão.






