Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O movimento Mães por Justiça esteve na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta quarta-feira, 4/3, para cobrar providências sobre as condições das unidades hospitalares da rede estadual de saúde, especialmente em casos que resultaram na morte de crianças.
O grupo utilizou a Tribuna Popular da Casa para relatar denúncias e pedir mais transparência nas investigações.
Formado por familiares que perderam filhos em hospitais públicos do Amazonas, o coletivo afirma que os casos não são isolados e apontam falhas estruturais no sistema de saúde. O tempo de fala foi concedido pelo vereador Rodrigo Guedes (Progressistas).
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Denúncias de negligência
Uma das integrantes do movimento, Andresa Trindade, afirmou que o grupo busca respostas e responsabilização. Segundo ela, as mortes não podem ser tratadas como fatalidades.
“Não foi fatalidade, não foi vontade de Deus. Foi negligência, foi descaso, foi irresponsabilidade”, declarou na tribuna.
Andresa criticou o que classificou como omissão e impunidade diante dos casos denunciados. “O que começou com a dor de uma mãe hoje se transformou em um clamor por justiça. Se não houver justiça pelos que já se foram, que haja pelos que ainda podem ser salvos”, disse.
Pedido de transparência
Outra integrante do movimento, Lizandra Vitória, apresentou uma série de reivindicações. Entre elas, a divulgação da proporção de pediatras nas emergências, esclarecimentos sobre protocolos de revisão de óbitos pediátricos, transparência periódica sobre indicadores de mortalidade hospitalar por faixa etária e critérios técnicos de fiscalização sanitária, além de acompanhamento parlamentar contínuo.
“Esta Casa já aprovou a realização de audiência pública sobre o tema. Na audiência, aprofundaremos dados e protocolos. Hoje trazemos perguntas; na audiência, esperamos ter respostas”, afirmou.
Repercussão entre vereadores
O vereador Capitão Carpê (PL) defendeu a responsabilização de profissionais nos casos em que houver comprovação de negligência ou imprudência.
“Como se refaz essa dor? Não existe. É um vazio que vai acompanhar essas famílias para o resto da vida”, declarou.
O vereador Amauri Gomes (União Brasil) também se manifestou e afirmou que falhas na assistência não podem ser tratadas com normalidade. “Não podemos aceitar que situações como essas passem despercebidas e que novas vítimas surjam sem que nada aconteça”, disse.
Caso Bianca Costa
Entre os episódios citados está o da estudante Bianca Costa, que denunciou nas redes sociais falhas no atendimento recebido no Instituto da Mulher Dona Lindu. Segundo ela, o caso resultou na morte da filha, com seis meses de gestação.
Bianca relatou que procurou a unidade após perder líquido e ser informada da presença de mecônio, substância que pode indicar sofrimento fetal. De acordo com o relato, a cesariana teria sido indicada, mas o procedimento só foi realizado horas depois.
A bebê nasceu sem chorar e, cinco minutos após o parto, o óbito foi comunicado ao acompanhante. A confirmação oficial, segundo Bianca, ocorreu posteriormente, na sala de recuperação anestésica.
Após o parto, a estudante precisou passar por uma nova cirurgia ao ser diagnosticada com infecção bacteriana grave e necrose abdominal. O caso ocorreu em novembro, mas ganhou repercussão nesta semana após a denúncia pública.






