Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Dados divulgados pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) revelam que motociclistas e pedestres seguem sendo as principais vítimas de violência no trânsito de Manaus. As informações consideram o período de janeiro a novembro de 2025 e mostram um cenário marcado por alta motorização, elevado número de mortes e concentração de acidentes em corredores viários estratégicos.
Os números apontam que, de janeiro a outubro, 105 motociclistas perderam a vida em acidentes na capital, o que representa 48% das 221 vítimas registradas no período. Entre os pedestres, foram 73 mortes, 33% do total, alcançando 178 pessoas nessa categoria.
Vítimas

Dados de acidentes – Fonte: IMMU/PMM – Manoel Paiva

Vias perigosas
As estatísticas também identificam as vias com maior incidência de fatalidades, reforçando padrões de risco semelhantes aos de anos anteriores. As dez vias mais perigosas somam 85 mortes em 2025.
O ranking é liderado pela rodovia Torquato Tapajós, com 28 vítimas fatais, seguida pelo Rodoanel Metropolitano, com 29 mortes, e pela avenida Governador José Lindoso, com 22 registros. Também aparecem na lista a avenida Autaz Mirim (22 mortes), a alameda Cosme Ferreira (22), a avenida General Rodrigo Otávio (17), a avenida Noel Nutels (15), a avenida Coronel Jorge Teixeira (12), a avenida Brasil (10) e a avenida Max Teixeira (7).

Falta de infraestrutura
Para o especialista em trânsito Manoel Paiva, o cenário é resultado direto da ausência de infraestrutura adequada para motoristas e pedestres. Ele afirma que calçadas em boas condições, sinalização visível, faixas iluminadas, pontos de refúgio e passarelas são investimentos básicos, mas ainda insuficientes em Manaus.
“São fatores que, efetivamente, nós temos que estancar de uma maneira muito clara e direta esse grupo de membros da mobilidade de Manaus que hoje provocam tantas mortes e tantas perdas”, afirma.
Paiva explica que os motociclistas representam 34% da frota da cidade, impulsionados pelo aumento de trabalhadores que utilizam a moto para transporte de passageiros. Porém, muitos deles não recebem treinamento adequado, o que aumenta o risco. “Muitas vezes, a imprudência, através da velocidade, de manobras perigosas ou não permitidas, e do uso de retornos inadequados gera esse problema de uma morte muito significativa”, alerta.

Segundo ele, a vulnerabilidade desse grupo também está diretamente ligada à precariedade das vias. “São fatores que, efetivamente, nós temos que estancar de uma maneira muito clara e direta esse grupo de membros da mobilidade de Manaus que hoje provocam tantas mortes e tantas perdas”, reforça.
Fiscalização
Ao comentar sobre as vias mais perigosas, Paiva defende que a solução passa pela ampliação da fiscalização e do monitoramento. Ele destaca a importância de fortalecer o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PenaTrans).
“Temos que melhorar o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesão do Trânsito para que nós possamos, cada vez mais, alcançar essa meta do acidente zero e garantir que nenhum cidadão seja obrigado a pagar com a própria vida a sua integridade física”, diz.
Para ele, a meta de zero mortes não é utopia, mas uma urgência que depende de investimentos públicos em sinalização, tecnologia e respostas rápidas às ocorrências.
“Então, esse é o foco que nós temos que trabalhar, para que, num processo de educação, a fiscalização rigorosa seja monitorada e a aplicação efetiva da lei possa coibir o excesso de velocidade, o uso de álcool ao dirigir e outras infrações perigosas”, afirma.
Sobrevivente
A estudante de Jornalismo e inspetora de qualidade Isabelle Amarize, 21 anos, é sobrevivente de um grave acidente envolvendo motocicleta no dia 25 de outubro, em frente à Conab, nas proximidades do Distrito Industrial. Ela conta que estava a caminho do trabalho com o namorado quando um carro atingiu a lateral da moto.



“Ele vinha em alta velocidade, muito rápido mesmo. Nós estávamos atravessando uma via correta, não estávamos fazendo nada de errado. E, mesmo assim, o impacto nos arremessou”, relata.
Com a força da colisão, Isabelle quebrou a perna e hoje utiliza um fixador. O namorado fraturou o tornozelo. Um dos pontos que mais a chocou foi a atitude do motorista. “Mas, ao invés de se preocupar conosco, disse que queria que pagássemos o prejuízo do carro dele. Ele não se importou com o nosso estado, com o sangue, com o que havíamos passado”, enfatiza.
Para a inspetora de qualidade, o acidente a fez perceber o quanto atitudes irresponsáveis no trânsito podem mudar vidas em questões de segundos e que cada detalhe no trânsito importa, desde a velocidade até a atenção com os outros.
“Não dá pra controlar tudo, mas existem escolhas que podem evitar tragédias. Um segundo de distração ou excesso de velocidade podem transformar um dia comum em um pesadelo. E ninguém está preparado pra lidar com isso“, pontua.






