Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado faleceu nesta sexta-feira, 23/5, aos 81 anos, em Paris. Ele enfrentava complicações decorrentes de uma malária contraída em 1990, durante uma viagem à Indonésia. Sua trajetória é marcada por prêmios internacionais, imagens memoráveis e obras consagradas, como o documentário O Sal da Terra, produzido em 2014.
A perda de Sebastião Salgado foi lamentada por profissionais da fotografia e do jornalismo, que destacaram a grandiosidade de sua obra e o legado deixado. O fotógrafo do Portal RIOS DE NOTÍCIAS, João Dejacy, ressaltou que Salgado o fazia enxergar o mundo de forma diferente. “Sinceramente é difícil falar somente de um aspecto de Sebastião Salgado, seu trabalho não era pura estética, ele denunciava, curava e, acima de tudo, contava histórias de dores humanas que nos faziam enxergar o mundo que estamos”, disse Dejacy.
O professor e diretor de jornalismo do portal, Rômulo Araújo, também sublinhou a inspiração que Salgado representa para profissionais da área. “Sebastião Salgado é um sinônimo de fotografia jornalística e documental de qualidade. Dificilmente um profissional da área não o tem como uma de suas referências. É meu caso, como amante da fotografia e professor de fotojornalismo.”
Uma de suas exposições mais marcantes foi Amazônia, apresentada em São Paulo, em 2022, e posteriormente exibida em Paris, Londres e Roma. A mostra reuniu cerca de 194 fotografias, proporcionando uma imersão na floresta amazônica e em seu povo, levando representatividade e visibilidade à Região Norte.
A fotógrafa Ruth Jucá também destacou o olhar artístico e humanista do fotógrafo. “Que mais humanos possam ser tão inspiradores como Salgado, que deixa um legado nas artes e na natureza, onde fez a diferença no planeta. Com seu olhar sensível nos mostrou a beleza, a dor, a resistência e a dignidade dos povos do planeta. Sua arte está em nós, obrigada Sebastião Salgado.”
Ao longo de seus 50 anos de carreira, Sebastião Salgado dedicou-se a registrar a beleza da Amazônia e de seus povos originários, com imagens impactantes que narram, por si só, histórias profundas. Seus registros vão desde mulheres da tribo Zoé, no Pará, até cenas que revelam a realidade do garimpo na região.
O fotógrafo Michael Dantas destacou a importância de Salgado no cenário mundial e fez questão de lembrar o papel fundamental de sua esposa. “Uma informação que acho importante é sobre a esposa dele, Lélia Salgado. Ele se tornou um gigante graças ao total apoio e dedicação da sua esposa Lélia. Costumo dizer que ao lado de um grande homem tem sempre uma grande mulher, Lélia foi muito importante em toda sua trajetória. A fotografia perdeu um gigante.”
Em 2024, Sebastião Salgado foi premiado pelo concurso Sony World Photography Awards, que reconheceu sua “destacada contribuição à fotografia”.
A professora e jornalista do Centro Universitário Fametro, Tatiana Lima, ressaltou como Salgado expunha, por meio de suas imagens, realidades invisibilizadas. “Ele não se cansa, ele é incansável na busca pela história daquelas pessoas que a sociedade prefere que seja invisível. Esse é o permanente… vai ser sempre o permanente legado do Sebastião Salgado. Abrir nossos olhos para pessoas iguais a nós que precisam de muita força para seguir vivendo.”
No mesmo ano, o jornal The New York Times incluiu uma fotografia de Sebastião em sua seleção das “25 fotos que definem a ideia moderna”.
O fotógrafo Filipe Augusto também lamentou a perda e ressaltou a importância do legado deixado, principalmente como referência para a fotografia ambiental.
“O Sebastião Salgado, digamos que ele abriu um caminho para muitos fotógrafos começarem a trabalhar de uma maneira mais especial. É uma referência em fotografias ambiental, jornalística, de paisagem, de tudo. Tanto é que é muito difícil escolher uma só fotografia de Sebastião Salgado”, ressaltou Filipe.
Com sua estética inconfundível em preto e branco, Sebastião Salgado registrou, ao longo de sua trajetória, a dor de conflitos, as injustiças sociais, mas também a beleza da natureza e a dignidade dos povos originários. Essas imagens lhe renderam reconhecimento e prestígio internacional.
Sebastião Salgado deixa um legado histórico por meio de registros impactantes que eternizam realidades diversas e inspiram fotógrafos do mundo inteiro. Sua obra reafirma que a fotografia é, antes de tudo, uma narrativa viva e um instrumento de conscientização — uma missão que ele carregou com sensibilidade e compromisso ao longo de toda sua carreira.






