Gabriel Lopes – Rios de Notícias
RIO DE JANEIRO (RJ) – Um medicamento desenvolvido no Brasil e ainda em fase experimental tem despertado esperança na medicina por apresentar resultados inéditos na recuperação de pacientes com lesão medular. Batizado de Polilaminina, o fármaco foi criado a partir de uma proteína da placenta humana.
O estudo, apresentado nesta semana em São Paulo (SP), foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o laboratório Cristália e iniciado há mais de duas décadas, sob a liderança da professora da instituição federal, Tatiana Coelho de Sampaio.
Os testes mostraram que a substância, quando aplicada diretamente na medula espinhal, favorece a regeneração de neurônios e pode devolver movimentos a pessoas que perderam mobilidade após acidentes ou doenças. A expectativa dos cientistas é que a descoberta abra caminho para um tratamento eficaz contra quadros de paralisia.
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Casos de voluntários impressionam pela recuperação. Um dos exemplos é o de Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente de trânsito. Ele recebeu a aplicação do medicamento 24 horas depois do trauma e, em cerca de cinco meses, conseguiu recuperar praticamente toda a mobilidade.
A atleta paralímpica de rúgbi, Hawanna Cruz Ribeiro, também foi submetida ao tratamento e relata ter recuperado entre 60% e 70% do controle do tronco, além de sinais de sensibilidade na bexiga. Os resultados também se mostraram promissores em estudos com animais.
Em cães e ratos com lesões semelhantes as de humanos, houve recuperação da marcha, em alguns casos já nas primeiras 24 horas após a aplicação da Polilaminina. Para a equipe responsável pela pesquisa, os achados reforçam o potencial regenerativo do medicamento.
Apesar dos avanços, o fármaco ainda não está disponível para uso clínico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda o envio de dados complementares dos testes pré-clínicos para avaliar a autorização de ensaios clínicos em maior escala. Até lá, a substância permanece restrita a estudos sob autorização especial.
Para os pesquisadores, o caminho até a aprovação definitiva ainda exige cautela, mas a repercussão já coloca a Polilaminina como um dos mais relevantes avanços da ciência brasileira na área da neurologia. Caso seja confirmada a eficácia, o medicamento poderá mudar a realidade de milhões de pessoas pelo mundo.






