Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O vereador de Manaus, Capitão Carpê (PL), classificou como constrangedora a situação em que deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tomaram a iniciativa de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o programa Asfalta Manaus, enquanto a Câmara Municipal da capital não conseguiu sequer as assinaturas necessárias para a abertura de uma.
Em entrevista ao quadro Jogo Limpo, do Jornal da Rios, na Rádio Rios FM, Carpê destacou que a responsabilidade de fiscalizar a gestão da Prefeitura de Manaus é, em primeiro lugar, dos vereadores.
“Me sinto constrangido enquanto vereador, ter que ver um outro poder tendo que fazer o trabalho da Câmara Municipal de Manaus. Não que a Assembleia Legislativa não tenha que fazer isso, é a função dela. Mas vejo de certa forma constrangedora por ser vereador e ver que a gente não consegue abrir uma simples CPI para investigar um problema tão grave”, afirmou.
O parlamentar ressaltou a importância da investigação, citando o montante de recursos públicos envolvidos. Segundo ele, “levando em consideração o orçamento do Asfalta Manaus, soma-se mais de R$ 1,5 bilhão, inteiro público investido em asfalto. E quando você vai para a rua, você não vê a infraestrutura adequada”.
Durante a entrevista, Carpê também relacionou o problema da infraestrutura precária a episódios recentes que ganharam repercussão. Ele mencionou o incêndio de grandes proporções em uma fábrica no Distrito Industrial II e lembrou que um caminhão dos bombeiros quase tombou ao cair em um buraco durante o atendimento à ocorrência. “Isso mostra a realidade do que está acontecendo. Agora veja bem, não é falta de recurso, é falta de gestão. É algo muito errado”, reforçou.
Para o vereador, a resistência da base governista em abrir qualquer investigação sobre o programa levanta suspeitas. “Existe uma nuvem aí, existe algo nebuloso com relação ao programa Asfalta Manaus. Além deles não abrirem nenhum tipo de procedimento, simplesmente a base do prefeito blinda a prefeitura e não aprova nenhum requerimento solicitando informações. Ou seja, algo errado está aí no meio do programa”, declarou.
Capitão Carpê concluiu dizendo que, diante da omissão da Câmara, a atuação da Aleam se torna necessária. “Infelizmente, agora, no lugar da Câmara Municipal de Manaus, quem vai ter que fazer esse trabalho é a Assembleia Legislativa.”






