Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Quatro meses após a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, os pais do menino voltaram a público nesta quinta-feira, 2/4, para cobrar respostas sobre a demora na emissão do laudo de necropsia.
Em coletiva realizada na sede do Conselho Regional de Engenharia do Amazonas (CRE-AM), no Centro de Manaus, Joyce Xavier e Bruno Freitas reforçaram o pedido por justiça pela morte do filho.
A principal cobrança da família é a ausência do documento do Instituto Médico Legal (IML), considerado essencial para a conclusão do inquérito policial. Sem o laudo, etapas como a denúncia do Ministério Público e a continuidade das investigações seguem travadas.

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Bruno se emocionou e reforçou o sentimento da família diante da perda do filho: “Mataram a criança errada”, declarou. Ele reforçou que não busca vingança, mas responsabilização. “Se a pessoa errou, ela tem que pagar pelo erro. Senão, mais Benícios vão morrer e nada vai acontecer”.
“São quatro meses esperando um resultado concreto. A gente vem aqui para implorar algo que era para ser feito”, afirmou o pai, ao criticar também a prorrogação do inquérito por mais 45 dias.

Benício morreu no dia 23 de novembro de 2025, após receber adrenalina na veia durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. De acordo com o boletim de ocorrência, o menino havia sido levado à unidade com tosse, mas apresentou piora imediata após a aplicação da medicação.
Dor e sofrimento
Segundo os pais, o caso tem sido ainda mais doloroso por conta da circulação de informações não oficiais. “Estão criando factoides, versões que não condizem com a verdade. Isso prejudica a busca por justiça”, afirmam.
Durante a coletiva, o pai relembrou, em detalhes, os momentos que antecederam a morte do filho. Ele descreveu o quadro clínico da criança antes da intubação e a angústia ao perceber o agravamento do caso. “Ele [Benício] respirava muito ofegante, parecia que estava em uma maratona”, contou.

Do lado de fora da UTI, o pai percebeu uma movimentação incomum. “Começa a chegar mais médico, mais enfermeiro… eu percebo que algo não estava certo”, relatou.
O momento mais traumático foi a sequência de paradas cardíacas. “Ele já tinha sofrido três… e eu presenciei mais três. Foram seis paradas. É muito doloroso relembrar isso”, disse.
Para o pai, a causa da piora está ligada à medicação administrada. “Não foi uma parada comum. Foi devido à injeção da adrenalina naquele início de tudo”, declarou.
Além da dor da perda, a família enfrenta o impacto emocional profundo deixado pela morte do menino. “Ele ia fazer sete anos no Natal. Foi tirado da gente o prazer de comemorar o aniversário dele. Foi o pior Natal da nossa vida. Eu e a mãe dele só ficávamos abraçados, sem reação”, lembrou o pai.
Apesar do luto, os pais afirmam que seguirão cobrando respostas. “Se for para relembrar isso um milhão de vezes, a gente vai relembrar. A gente não quer que caia no esquecimento”, declarou.
A investigação sobre o caso segue sob a responsabilidade da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). O laudo do IML deve embasar as próximas diligências e a possível denúncia do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
*Com colaboração de Kataryne Dias






