Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Representantes do Instituto Sumaúma, voluntários, ativistas ambientais e moradores realizaram na manhã deste sábado, 10/1, uma manifestação pacífica para denunciar o abandono do Parque Estadual Sumaúma e cobrar providências das autoridades e secretarias ligadas ao meio ambiente.
O ato ocorreu em defesa da recuperação e preservação do parque, localizado no bairro Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus.
Segundo os organizadores, o protesto teve como objetivo chamar a atenção do poder público para a situação crítica da unidade de conservação, que enfrenta degradação contínua desde o período da pandemia.
“O Parque Estadual Sumaúma foi criado há mais de 20 anos por decreto governamental, com forte mobilização e apoio das comunidades da Cidade Nova e de ativistas ambientais, e agora está abandonado”, explicou Matheus Amazônia, integrante do movimento Converge Amazônia.

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Ele destacou ainda a atuação histórica de defensores da área, como Augusto Leite, presidente do Instituto Sumaúma, Agenor, vice-presidente, Fátima Barbosa, Filomena Barbosa, e diversos voluntários que participaram da manifestação.
Apesar de ser uma unidade de conservação protegida por lei – sancionada à época pelo então governador Eduardo Braga – o parque permanece em estado de abandono, evidenciando, segundo os ativistas, o grave descaso do poder público.
Manaus entre as menos arborizadas do país
Matheus Amazônia ressaltou que a situação do Parque Sumaúma reflete um problema estrutural da capital amazonense. “Mesmo localizada no coração da Amazônia, Manaus está entre as cidades menos arborizadas do país, marcada por vandalismo, descarte irregular de lixo e degradação constante dos igarapés”, afirmou.
O ativista alertou ainda que o parque abriga uma das nascentes do Igarapé do Goiabinha, área que sofre diariamente com agressões ambientais, agravadas por obras e intervenções de infraestrutura sem o devido cuidado técnico e ambiental – realidade que se repete em diversos pontos da cidade.
Para o movimento, é urgente denunciar a ausência de políticas públicas eficazes nas áreas habitacional, ambiental e de planejamento urbano. “A falta de políticas que garantam moradia digna sem destruir a cobertura vegetal faz com que a natureza e as populações mais vulneráveis paguem o maior preço”, destacou.
Ano eleitoral
Matheus Amazônia também criticou o que classificou como descaso institucional e a atuação de parlamentares que aprovam projetos contrários ao meio ambiente, como o chamado “PL da devastação”, atualmente questionado no Supremo Tribunal Federal por meio de ação de inconstitucionalidade.
“Denunciar e mobilizar a sociedade civil é um dever diante da degradação institucionalizada do patrimônio natural e da violação dos direitos ambientais. Este ano é de política e sabemos que haverá muita gente na rua pedindo voto para coisas que talvez nem façam tanta diferença, mas o meio ambiente é o bem-estar de todos, dessas e das futuras gerações. Então pedimos, fazemos um clamor amazônico pela preservação e recuperação do Parque”, concluiu.






