Redação Rios
MANAUS (AM) – Uma atualização do mapeamento de áreas de risco geológico em Manaus, divulgada nesta quarta-feira, 27/8, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), revela que cerca de 112 mil pessoas vivem em áreas vulneráveis a desastres naturais como inundações, alagamentos, enxurradas, erosões e deslizamentos.
O estudo aponta 438 setores da cidade classificados como de risco alto (R3) e muito alto (R4), distribuídos por diversas zonas administrativas de Manaus.

Crescimento da Vulnerabilidade
O número de pessoas em áreas de risco aumentou significativamente desde o levantamento anterior, feito em 2019, quando aproximadamente 73 mil pessoas estavam em áreas de risco alto e muito alto. Agora, esse número chega a 112 mil, o que indica um crescimento tanto no número de pessoas quanto na extensão das áreas mapeadas.
Entre as zonas mais afetadas estão as regiões Leste e Norte de Manaus, que concentram a maior parte dos setores de risco. Bairros como Jorge Teixeira, Cidade Nova, Gilberto Mestrinho, Alvorada, Mauazinho e Nova Cidade somam mais de 13 mil domicílios em áreas de risco alto e muito alto, afetando diretamente cerca de 52 mil moradores.
Leia também: Jorge Teixeira e outros bairros de Manaus estão em alto risco de deslizamento de terra, aponta estudo
Principais Causas: Crescimento Urbano e Ocupação Irregular
O principal fator apontado para o aumento das áreas de risco é o crescimento urbano desordenado, que ocorre há décadas em Manaus. A cidade, cortada por diversos igarapés e rios, tem muitas áreas ocupadas de maneira irregular, principalmente nas planícies de inundação e margens dos rios, que tornam as construções vulneráveis a desastres naturais.
“Quando se ocupa essas áreas sem um planejamento adequado, as casas ficam expostas a enchentes e alagamentos, além de problemas como a erosão das margens fluviais e enxurradas”, explica Elton Andretta, pesquisador do SGB.
Período de Maior Risco
O estudo também revela que, durante os meses de janeiro a abril, período de maior intensidade de chuvas na região, ocorrem a maioria dos registros de desastres.
Mesmo com algumas intervenções em áreas mapeadas em 2019, a falta de controle sobre a ocupação desordenada e o crescimento descontrolado continuam ampliando a vulnerabilidade da população.
Soluções e Medidas Preventivas
O SGB recomenda que as áreas de risco muito alto, com 76 setores mapeados, sejam priorizadas em ações de prevenção. Isso inclui tanto a realização de obras de infraestrutura, como drenagem e contenção de erosões, quanto a implementação de ações não estruturais, como sistemas de alerta e a gestão eficiente das áreas de risco.
Além disso, o planejamento urbano é crucial para evitar novas ocupações irregulares e promover a urbanização de áreas mais seguras.
*Com informações da assessoria






