Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Amazonas, mais de 61% das moradias em áreas protegidas convivem em situação de precariedade no abastecimento de água, destinação do esgoto ou coleta de lixo, de acordo com dados divulgados, nesta quarta-feira, 12/11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados integram o levantamento que será apresentado durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém (PA). O estudo traz informações sobre saneamento básico, taxa de alfabetização e perfil dos moradores dessas áreas.
O retrato estatístico foi elaborado a partir de informações do Censo Demográfico 2022, enquanto a parte ambiental utilizou dados de 2023 do Banco de Informações Ambientais (Bdia).
No Amazonas, aproximadamente 160.278 pessoas, o que representa 61,37% da população das áreas protegidas, convivem com algum tipo de deficiência no acesso a água, esgoto ou coleta de lixo. A maior parte dessa população é formada por indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.
Quando considerados apenas os domicílios localizados em Terras Indígenas do Amazonas, excluindo malocas e habitações tradicionais, o cenário é ainda mais grave: a precariedade no saneamento básico atinge 99,73% dos moradores, o equivalente a 141.011 pessoas.

Taxa de analfabetismo
A taxa de analfabetismo no estado continua elevada, especialmente entre determinados grupos populacionais. O índice é mais alto entre pessoas pardas (69,05%), seguidas por brancas (16,48%), indígenas (9,94%), pretas (4,37%) e amarelas (0,16%).
Na Amazônia Legal, o cenário é ainda mais preocupante. O levantamento mostra que o analfabetismo entre indígenas triplica a média nacional: cerca de 22,7% dos habitantes de Terras Indígenas não sabem ler nem escrever um bilhete simples no idioma que conhecem, enquanto a média nacional é de 7%.
Entre os quilombolas, a taxa de analfabetismo atinge 17,9%, e nas unidades de conservação, o índice chega a 12,9%. Esses dados evidenciam as desigualdades no acesso à educação e os desafios históricos enfrentados pelos povos indígenas e comunidades tradicionais na região amazônica.
Amazônia Legal
A Amazônia Legal corresponde à área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
A demarcação foi criada para promover o desenvolvimento socioeconômico da região, que abrange os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e a maior parte do Maranhão.






