Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que mais da metade dos empreendimentos contratados com recursos federais no Amazonas estão paralisados. As áreas de educação e saúde concentram a maior quantidade dessas obras.
Em 2024, o TCU identificou 452 obras paralisadas no estado, representando 65,5% das contratações vigentes. Isso significa que, a cada três empreendimentos contratados, dois estão parados.

Segundo o órgão, essa situação reflete um grave desperdício de recursos públicos e prejudica o bem-estar e o atendimento à população. “A expressiva quantidade de projetos interrompidos representa desperdício de recursos públicos e compromete diretamente a eficácia das políticas públicas e a capacidade de atendimento às necessidades essenciais da população”, declarou o TCU.
No Amazonas, as áreas de educação e saúde concentram 373 obras paralisadas, correspondendo a 82,5% do total. Entre as construções interrompidas estão dezenas de unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento, estruturas de atenção especializada, escolas, creches, quadras esportivas e outras infraestruturas essenciais.
Outro ponto destacado pelo tribunal é que estados como Amazonas, Pará (76,9%), Maranhão (62%) e Bahia (57%), que estão entre os cinco com maior demanda por vagas em creches, apresentam mais obras paralisadas do que em execução.
“A ausência dessas instalações impacta diretamente a população, prejudicando o acesso a serviços essenciais e comprometendo a qualidade de vida em diversas comunidades”, afirmou o TCU.

O cenário no Amazonas tem se agravado nos últimos anos. Em 2023, havia 304 obras paradas, representando 47,1%, enquanto em 2022 eram 292, equivalendo a 43,9%. Atualmente, o estado tem R$ 684,4 milhões investidos em obras paralisadas, de um total de R$ 2 bilhões em contratos previstos.
No contexto nacional, a situação também é alarmante. Em 2024, o TCU identificou 11.941 obras paralisadas no Brasil, representando 52% das contratações vigentes. As áreas de educação e saúde são as mais afetadas, com 8.674 obras interrompidas, o equivalente a 72,6% do total — muitas delas sem qualquer perspectiva de conclusão.






