Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma mãe atípica, que preferiu não se identificar, entrou com uma ação judicial neste mês de abril contra a Prefeitura de Manaus por danos morais e materiais sofridos pelo filho, uma criança de seis anos diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Segundo o relato, o menino foi ferido no braço por um colega dentro do Centro Integrado Municipal de Educação (CIME) Lúcia Melo Ferreira Almeida.
“No dia 10 de março deste ano, meu filho chegou da escola com um furo no braço. Ele disse que um colega tinha furado ele porque queria o lápis e ele não quis dar. Ele não contou para a professora porque teve medo dela brigar com eles. Nesse dia também teve uma brincadeira e foi dito que se eles ficassem comportados iriam ganhar pirulito. Acredito que por esse motivo ele também ficou calado”, relatou a mãe, que registrou dois boletins de ocorrência.


A responsável afirmou que notificou a professora no mesmo dia, mas não obteve retorno. Após três dias sem resposta, procurou o diretor, a pedagoga e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), sendo encaminhada à ouvidoria.
“No mesmo dia eu repassei para a professora a situação. Passaram três dias e nada foi resolvido. Falei com o diretor, a pedagoga e fui na Semed. Lá me passaram para a ouvidoria e me retornaram que talvez a pedagoga fosse encaminhada ao conselho de ética, sendo que o diretor, Elbert Almeida, já sabia do caso do meu filho, que segundo ele, repassou para a pedagoga, que me bloqueou no WhatsApp porque eu pedi as imagens das câmeras no dia que meu filho foi furado”, explicou.
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Complicações de saúde e afastamento do trabalho
A ferida no braço do menino inflamou e se agravou. A mãe afirma que precisou deixar o trabalho para cuidar do filho. “Por conta desta situação, eu falava tudo pelo WhatsApp, mas a pedagoga me bloqueou. Ele precisou tomar antibiótico para matar a bactéria porque a ferida estava se espalhando para o outro lado do braço e abriu outra na perna dele. Foram duas semanas de muito sofrimento. Ele sentia dores e só dormia no meu colo”, frisou a mãe atípica.
A situação motivou o registro de dois boletins de ocorrência: um na Delegacia Especializada de Apuração de Atos Infracionais (DEAAI) e outro no 27º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A mãe também relatou ter sido chamada de “barraqueira” por uma servidora da escola ao insistir por providências.


Falta de preparo e estrutura
A mãe afirmou ter entregue o laudo do filho no ato da matrícula, no início do ano, justamente para garantir atendimento adequado.
“Levei tudo para a psicopedagoga da escola. Ela me recebeu muito bem e disse que como ele era TDAH não poderia entrar no processo que os autistas tem, porque o TDAH ainda não era compatível para o tratamento dado aos autistas na escola, o que eu acho um absurdo. Meu filho toma Ritalina de manhã antes de ir para o colégio para ter concentração, e ele precisa de ajuda no aprendizado. Ele não tem o mesmo nível de entendimento das demais crianças”, destacou a responsável.
A denunciante também reclamou do despreparo dos profissionais do CIME para as Pessoas Com Deficiência. “Eles não tem preparo nenhum com crianças atípicas, o diretor falou que a escola não era obrigada a ficar com ele o dia todo, eu falei que era sim, exceto nos dias que ele faz terapia e ele se calou, sem contar os professores completamente incapacitados”, expôs a mãe.

Ação judicial e busca por justiça
A advogada da família, Michele da Silva Santos, informou ao portal RIOS DE NOTÍCIAS que ajuizou uma ação contra o município.
“Já ingressei com uma Ação de Responsabilidade Civil com pedido de reparação por danos morais e materiais. Tenho experiência em casos envolvendo TEA, TDAH e solicitações de mediadores escolares”, disse a advogada.
Após o episódio, o menino retornou à escola, mas apresentou crises de ansiedade. “Ele ficou com medo, não quis permanecer. Eu não culpo a professora, porque ela está sozinha com 30 alunos, sendo cinco com autismo, e sem apoio nenhum”, lamentou a mãe.
Sem respostas
A REPORTAGEM entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para solicitar um posicionamento sobre o caso, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras do órgão.






