Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a escolha de Manaus como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 voltou a gerar polêmica e mobilizou políticos e internautas no Amazonas. Durante a inauguração do Parque Linear da Nova Doca, em Belém (PA), na quinta-feira, 2/10, Lula afirmou que a decisão foi um erro e que, se dependesse dele, Belém teria recebido os jogos do mundial.
“Eu era presidente na época e não tive nenhuma participação na seleção dos estados. Porque se eu tivesse o direito de dizer aonde ia ser a Copa do Mundo, pode ter certeza que, como eu gosto de futebol, eu acho que o Estado do Pará tem muito mais histórico de futebol do que o Estado do Amazonas”, disse o presidente em seu discurso.
A fala gerou forte repercussão no Amazonas, onde autoridades e parte da população consideraram a declaração desrespeitosa com a capital amazonense, que investiu bilhões em infraestrutura e foi uma das sedes do mundial. O vereador Zé Ricardo (PT), por exemplo, rebateu a avaliação do presidente e defendeu que tanto Manaus quanto Belém têm relevância para o futebol do Norte e poderiam ter sediado o evento.
“Eu discordo em si da afirmação dizer que é melhor, teria sido melhor. Eu acho que as duas cidades, assim como Manaus ofereceu toda a infraestrutura, deu condições para a realização da Copa, que foi um sucesso, se fosse em Belém, também teria sido do mesmo jeito”, declarou o parlamentar.
Ele destacou ainda que não há superioridade futebolística entre os dois estados. “Nem o Pará nem o Amazonas são grandes destaques a nível nacional. […] O certo é que os dois estados precisam investir mais, tem que ter muito mais parcerias para que o futebol do Amazonas e do Pará melhorem, cresçam, tenham também um grande destaque a nível nacional.”


Debate nas redes sociais
Nas redes sociais, a declaração dividiu opiniões e acendeu discussões antigas sobre o futebol no Norte do país. Alguns internautas concordaram com Lula, ressaltando a tradição dos clubes paraenses. “Com respeito aos nossos irmãos amazonenses, nessa ele está certo, o futebol paraense é muito maior que o do Amazonas”, comentou um usuário.
Outros, no entanto, minimizaram a importância da escolha da sede, lembrando que o Brasil terminou a Copa com o traumático 7 a 1 para a Alemanha. “Se a Copa do Mundo no Brasil já foi um total fracasso, o fato de Belém se fosse sede não apagaria o 7×1 o vexame daquela copa. O governo gastou milhões em impostos pra ver um massacre da seleção alemã dentro de casa”, escreveu outro internauta.
Houve também quem criticasse a postura do presidente, acusando-o de adaptar seu discurso ao público do momento. “Semana que vem ele está aqui e falará que a COP30 deveria ser no Amazonas, ele fala o que convém ao momento. Nem sabe…”, disse um usuário.
Por outro lado, alguns pontuaram que levar a Copa a regiões com pouca tradição futebolística faz parte do propósito do torneio. “Não faz sentido. O objetivo de uma Copa é justamente difundir o futebol, sobretudo em lugares com potencial de crescimento. Se fosse apenas para realizá-la em lugares onde o futebol já é tradição, jamais teriam escolhido os Estados Unidos, onde o esporte está longe de ser o mais popular”, comentou outro perfil.
Contexto e legado
Manaus foi uma das 12 sedes brasileiras da Copa de 2014, recebendo quatro partidas no estádio Arena da Amazônia, construído especialmente para o evento. À época, a decisão foi justificada pelo potencial turístico e estratégico da região amazônica, além de ser vista como oportunidade de desenvolvimento urbano e projeção internacional para a cidade.






