Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O comediante Léo Lins falou pela primeira vez em seu canal do Youtube após ter sido condenado a 8 anos de prisão por meio de uma ação penal referente a piadas proferidas em um show de comédia que ocorreu em 2022.
“Sabe qual foi um dos embasamentos teóricos da juíza que me condenou a mais de oito anos de cadeia? A Wikipédia, e isso não é uma piada. Você imagine um inocente acusado de homicídio, a juíza fala, você matou? Ele diz, não. Ela vai na Wikipédia, pessoas podem mentir? Sim, sabia, condenado. Isso mesmo a Wikipédia tendo um aviso. Não é fonte primária de informação, não substitui uma pesquisa acadêmica, assim como no meu show, também tem avisos”, afirmou o comediante ao questionar a decisão da juíza Barbara de Lima Iseppi, da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
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Léo Lins afirma que, mesmo diante das acusações, as minorias estão ao seu lado. “Pelo menos no meu julgamento, haviam mais minorias do meu lado do que contra, porque não levaram nenhuma. E mesmo assim, em nome da defesa das minorias, a juíza ignora a opinião dessas minorias e determina que piada incentiva o crime, o ódio e o preconceito“, ressaltou.
O comediante ironizou ao falar que fazer piadas virou crime. “Como eu sempre falo, a melhor piada do mundo sem alguém para rir não tem graça. A comédia é feita para o próximo. Por isso eu espero retribuir tudo isso em risadas. Eu tenho fé que no fim vai dar tudo certo. Até porque se rir virou crime, o silêncio virou regra“, concluiu.
A condenação
A condenação do humorista é de 8 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, inicialmente. A decisão ocorre por conta de discursos preconceituosos e de discriminação ditos em um espetáculo de stand-up, disponível em uma plataforma de vídeo, em 2022.
A decisão ocorreu por meio da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) que destacou que o conteúdo da apresentação viola direitos fundamentais e propaga ódio contra grupos minoritários como pessoas com deficiência, povos originários, pessoas negras e o público LGBTQIAPN+.
Léo Lins ainda pode recorrer na justiça da condenação em instâncias superiores.






