Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A iminente chegada do fenômeno La Niña ao Brasil promete alterar o clima em várias regiões do país. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que as águas do Oceano Pacífico Equatorial começaram a esfriar, sinalizando o início do fenônemo, que deve influenciar o clima a partir de junho e trazer chuvas acima da média para o Norte. A região Sul, que sofreu com enchentes recordes devido ao El Niño, deve ter um período mais seco.
Carlos Querino, Mestre em Meteorologia, doutor em Física Ambiental e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS nesta sexta-feira, 14/6, explicou que La Niña é uma fase fria do fenômeno El Niño Oscilação Sul, caracterizada por anomalias negativas de temperatura na superfície do Pacífico Equatorial.
“O La Niña é a fase fria do El Niño. Tanto o El Niño quanto a La Niña remetem à variabilidade da temperatura na superfície do Oceano Pacífico, na região equatorial. O El Niño, a fase quente, pegou o primeiro semestre. Quando a gente tem a fase fria ou negativa, chamamos de anomalias negativas da temperatura, que se caracteriza pelo fenômeno La Niña”, explicou.
“A previsão é que o La Niña entre no segundo semestre deste ano, a partir de junho, julho e agosto. Para a região do extremo Norte da região, que abrange estados como Roraima, Amapá, Norte do Amazonas, Norte do Pará e Maranhão, é comum que haja uma intensificação no volume de chuva e, consequentemente há uma tendência que haja queda na temperatura. O principal impacto seria o aumento do nível de precipitação (chuva)”, complementou Querino.
No entanto, outras áreas do Amazonas, como o Sul do estado, devem experimentar chuvas abaixo da média. “Já a região central do estado, espera-se que continue dentro da normalidade as chuvas. Basicamente, o fenômeno vai provocar uma alteração no Norte da região Norte, devido à mudança da circulação atmosférica que o resfriamento nessa água do Oceano Pacífico Equatorial pode causar”, esclareceu.

Mudanças climáticas
Com a chegada de La Niña, as expectativas são de mudanças expressivas. No Nordeste, a bacia do rio São Francisco, já em situação de estiagem, pode enfrentar um período seco prolongado.
No Centro-Oeste, o estabelecimento do período seco deve manter a maioria das estações em condição de estiagem, especialmente na bacia do rio Tocantins, onde as vazões estão em recessão.
A previsão de La Niña também traz preocupação para a agricultura, recursos hídricos, ecossistemas e economias. Aumento de chuvas em algumas regiões pode beneficiar a agricultura local, mas também pode causar inundações e danos às colheitas.
No Norte, os rios tributários do Amazonas, especialmente ao Noroeste da bacia, estão com níveis de água subindo, enquanto no sul da bacia, os níveis começam a baixar. Rios tributários são rios e cursos de água menores que desaguam em rios principais.
Na bacia do rio Acre, os níveis de água, que haviam subido, voltaram ao normal, mas com tendência de queda, indicando uma possível seca. Em Roraima, a bacia do rio Branco passou de uma situação de seca para níveis normais, com tendência de aumento nas estações de medição.
A bacia do rio São Francisco, no Nordeste, enfrenta uma situação crítica, com muitas áreas em condição de seca, caracterizando um período seco predominante. No Centro-Oeste, a situação é semelhante, com várias bacias com níveis de água em queda, e até mesmo as áreas que estão em níveis normais também mostram tendência de redução.
O Inmet enfatiza que a persistência e a expansão das áreas mais frias no Pacífico Central são condições propícias para a formação de La Niña. Segundo o instituto, a previsão climática é que esse fenômeno se intensifique ao longo do segundo semestre, trazendo consigo um período de variabilidade climática acentuada.
Passando o bastão
A transição climática do El Niño para La Niña traz consigo várias consequências. O El Niño, que vigorou desde junho de 2023, resultou em secas históricas no Norte e Nordeste do Brasil, enquanto o Sul enfrentou enchentes devastadoras.
“O El Niño deste período foi classificado como de intensidade moderada a forte, causando elevação das temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial e impactos variados nas diferentes regiões do país”, explica Querino.
Os eventos climáticos extremos causados pelo El Niño incluíram inundações de magnitude excepcional no Rio Grande do Sul, caracterizadas como o maior desastre por inundação na região em maio.
No Sudeste, houve uma seca significativa na bacia do rio Doce, e a bacia do rio Paraíba do Sul começou a apresentar vazões em recessão, apesar da situação de normalidade geral. Na bacia do rio Paraguai, que forma o Pantanal, a seca persistiu em Porto Murtinho, ao sul da bacia.






