Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Justiça do Amazonas concedeu a liberdade provisória ao operador de guindaste Antônio Benjamin de Lima Cunha, de 57 anos, que estava fantasiado de Papai Noel quando o equipamento tombou durante a montagem da árvore de Natal no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. O acidente matou o artista parintinense Antônio Paulo Rodrigues, de 40, e deixou outro trabalhador ferido.
A decisão saiu após audiência de custódia com o suspeito um dia depois do acidente, na segunda-feira, 24/11. O processo corre em sigilo, e ainda não há informações públicas sobre as condições impostas pela Justiça ou possíveis medidas cautelares aplicadas ao operador do guindaste.
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Antônio Benjamin foi autuado por homicídio culposo e lesão corporal. A investigação apontou que ele estava afastado pelo INSS e recebia auxílio-doença, mas mesmo assim atuava na operação. Imagens registradas por testemunhas mostram o momento em que o guindaste tomba e o operador salta da cabine sem equipamentos de proteção.
Duas empresas envolvidas
O acidente aconteceu durante o içamento dos módulos da árvore cenográfica produzida pela empresa CenArt Produções e Serviços. Antônio Paulo, conhecido como “Antônio Suricate”, trabalhava para a empresa no momento da tragédia. O equipamento que tombou é da Transmuller Aluguel de Máquinas, responsável pela operação do guindaste.
O delegado Marcelo Martins, que é titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e coordena a investigação do caso, afirmou que a responsabilidade pelo acidente pode ser compartilhada entre o operador, auxiliares e empresas envolvidas. O laudo pericial, previsto para ser concluído em até 30 dias, deve esclarecer as causas e eventuais falhas técnicas.
Indícios de irregularidades
A investigação preliminar do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) já identificou indícios de irregularidades graves, como ausência de plano de rigging, falta de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e inexistência de isolamento da área. Também não havia limitador de carga instalado no guindaste.
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa, responsável pelo contrato da decoração natalina, disse que repassou toda a documentação às autoridades e que presta apoio às famílias das vítimas. A empresa CenArt não se manifestou até o momento sobre a situação.
Já a empresa Transmuller Aluguel de Máquinas respondeu ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, que foi contratada apenas para o aluguel do guindaste com operador e que o profissional possuía CNH compatível e cursos obrigatórios. A empresa diz “não ter sido informada de que ele recebia auxílio-doença e que soube do afastamento apenas após o depoimento dele à polícia.”






