Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da Sete Brasil, empresa criada em 2010, durante o segundo mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para alugar sondas para a Petrobras, que buscava expandir suas operações no pré-sal.
A decisão foi tomada após dificuldades em implementar o plano de recuperação judicial, iniciado em 2016, devido a uma dívida que ultrapassou os R$ 36 bilhões. O caso também está diretamente ligado à Operação Lava Jato, com a Sete Brasil sendo um dos pilares de um esquema de corrupção envolvendo desvios em contratos de sondas.

O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi um dos principais envolvidos em tentativas de acordo entre a Petrobras e a Sete para evitar a falência, mas o processo foi interrompido devido a receios de que a Petrobras fosse responsabilizada pelos esquemas de corrupção, apesar de ter apenas 5% da empresa, que é pivô dos processos.
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O juiz Luiz Alberto Carvalho Alves, da 3º Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decretou a falência da empresa após entender que a companhia “não apresenta mais condições para seu soerguimento”, frisou o magistrado em sua decisão.
“Da extensa trajetória do presente feito recuperacional, verifica-se que a recuperanda não apresenta mais condições para seu soerguimento, pelo contrário, conforme esclarecido pelo auxiliar do juízo, ‘incorreram em prejuízos consumindo os recursos monetários, jamais conseguiram desenvolver atividade empresárial e desde então incorrem em despesas com prestadores de serviços relacionados com a recuperação judicial e com a administração”,
Trecho da decisão
Bastidor do escândalo
A Operação Lava Jato revelou que a Sete Brasil foi, desde o início, um ponto de articulação para interesses políticos, sendo usada para implementar esquemas de corrupção dentro da Petrobras. João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, desempenhou importante missão para proteger o empreendimento.

Vaccari tentou, por meio de negociações nos bastidores, garantir um acordo entre a Sete Brasil e a Petrobras, com o objetivo de proteger a empresa da falência e, ao mesmo tempo, salvar os envolvidos no esquema de corrupção, isso foi o que apurou os bastidores obtidos pela coluna de Malu Gaspar, no jornal OGlobo.
O ex-tesoureiro do PT buscava garantir que a Petrobras pagasse um valor considerável – cerca de US$ 185 milhões (aproximadamente R$ 1,15 bilhão) – para ficar livre de responsabilidades sobre as dívidas da Sete Brasil.
Esse acordo não apenas visava garantir a continuidade da empresa, mas também uma oportunidade para os envolvidos na negociação obterem comissões milionárias. Os advogados envolvidos nas tratativas, segundo informações, poderiam faturar até R$ 50 milhões com o acordo.
A estratégia do político também visava, em sua interpretação, amenizar sua situação jurídica, ao tentar desvincular a Petrobras de sua responsabilidade pelos desvios de dinheiro na Sete Brasil e também atenuar sua posição nas investigações da Lava Jato.






