Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com a aproximação das eleições de 2026, o prefeito de Manaus e pré-candidato ao governo do Amazonas, David Almeida (Avante), enfrenta uma sequência de rompimentos políticos com aliados e líderes influentes ao longo de sua gestão.
Entre os casos mais emblemáticos estão as divergências com o vice-governador Tadeu de Souza (PP), o governador Wilson Lima (União Brasil) e o senador Omar Aziz (PSD).
Analistas políticos apontam que o cenário evidencia a dificuldade histórica de manter alianças duradouras no estado. O episódio mais recente envolve Tadeu de Souza, que deixou o partido do prefeito e se aproximou da base de Wilson Lima, aprofundando a divisão entre projetos políticos concorrentes no Amazonas.
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Críticas públicas e rompimentos
Diante do afastamento de aliados, David Almeida não poupou críticas públicas a Tadeu de Souza, afirmando que não há possibilidade de alinhamento futuro, pois “não irá caminhar ao lado do governador Wilson Lima’.

O prefeito também confirmou o rompimento com o senador Omar Aziz, apontando falta de convergência política tanto com o partido Avante quanto com o grupo liderado pelo senador. Segundo David, a decisão segue a mesma lógica adotada no caso de Tadeu de Souza.

Em declarações recentes, David revelou ainda ter se sentido “intimidado” e “ameaçado” por Omar Aziz. Nos bastidores, um dos principais pontos de conflito teria sido a negativa do senador em atender ao pedido de David para que sua filha, Aryel Almeida, integrasse a chapa como candidata a vice-governadora, reforçando a tensão entre os dois grupos políticos.
Especialistas avaliam o cenário
O jornalista e analista político Júlio Gadelha aponta que o prefeito caminha para um cenário de isolamento político diferente do registrado em 2024, quando contava com uma ampla rede de aliados e partidos.
“O prefeito David caminha para um cenário de isolamento político bem diferente de 2024. Agora, o que se vê com mais frequência são rompimentos e confrontos públicos com atores políticos”, afirma.

Gadelha destaca que esse contexto pode impactar diretamente o desempenho eleitoral de David Almeida, que anunciou sua pré-candidatura ao governo.
“Esse ambiente tende a gerar impactos no desempenho eleitoral e levanta dúvidas sobre a viabilidade de uma candidatura ao governo partindo da Prefeitura. Optar por deixar o cargo nesse contexto representa um risco elevado”.
O cientista político Luiz Carlos Marques complementa que a política no Amazonas atualmente é marcada por conflitos pessoais, e não por diálogo.
“O que se vê hoje é uma corrida pelo poder, muitas vezes não para exercê-lo em favor do interesse público, mas para atender a conveniências pessoais”.

Segundo Marques, nesse cenário, alianças instáveis e episódios de corrupção se tornam caminhos recorrentes para alcançar o poder. Ele ressalta que tanto David Almeida quanto Wilson Lima alcançaram cargos importantes, mas ainda não se consolidaram como lideranças capazes de unificar a sociedade.
“Sem lideranças consolidadas no estado, qualquer ocupante eventual de cargo relevante se enxerga como tal. Isso explica os ‘rachas’ nas alianças políticas às vésperas de cada pleito eleitoral”, analisou.






