Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a Prefeitura de Manaus divulgar, nesta quarta-feira, 8/1, que a maternidade Moura Tapajóz, na zona Oeste, está entre os 100 melhores hospitais públicos do Brasil, a influenciadora digital Jéssica Araújo, vítima de um falso diagnóstico na unidade que poderia ter colocado a vida de seu bebê em risco, se pronunciou sobre a divulgação.
“Isso é piada né? Eu não li isso não. Eu recebi um falso laudo de óbito fetal porque o aparelho de ultrassom estava quebrado há quase um ano e vocês não trocaram. Iam fazer a indução do meu parto e desviver meu bebê e isso só não aconteceu porque eu saí de lá e fui pra outra maternidade. Esse hospital não merece esse título“, afirmou ela nas redes sociais.
Outros internautas comentaram sobre a unidade na publicação da Semsa. “Só se for entre os piores né? Minha mãe quase morre por negligência aí com meu irmão”, afirmou uma. “Um hospital com zero empatia. Fui lá quando estava grávida e não deram a mínima“, disse outra.
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No texto divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a pasta afirma que a lista divulgada pelo Ministério da Saúde (MS) se baseou em critérios como acreditação hospitalar, taxas de ocupação e de mortalidade, disponibilidade de leitos de terapia intensiva e tempo médio de permanência dos pacientes.
“Esse resultado deixa claro que nossos esforços para melhorar a rede de saúde pública em Manaus estão no caminho certo. É mais um reconhecimento para uma gestão que ampliou a cobertura da saúde básica para mais de 90% e que segue entregando novas unidades e modernizando a rede”, afirmou o prefeito David Almeida (Avante).
Caso de bebê indígena
No entanto, a declaração do gestor municipal vai de encontro com o relato de Jéssica e outro fato recente noticiado pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, onde uma bebê indígena sofreu fraturas durante o parto no dia 23 de dezembro do ano passado, fazendo com que a família denunciasse violência obstétrica e negligência médica.

A enfermeira indígena Clotilde Mendes Bastos relatou ter vivido, junto com a nora e a neta da etnia Ticuna, uma verdadeira experiência traumática na unidade. Enquanto profissional da saúde, ela acredita que o parto deveria ter sido realizado por cesariana e não por via normal, pois a criança possuía quase quatro quilos.
“Isso foi violência obstétrica e negligência. A criança tinha quase quatro quilos. Pelos critérios do SUS, não era indicado parto normal. Não houve avaliação adequada. A mãe e a criança sofreram o dia inteiro. Hoje, a bebê está com o braço imobilizado, sente dor e chora muito. A mãe ainda sente dores intensas na virilha e relata estar muito machucada”,explicou.
Falsa morte fetal

Quando Jéssica Araújo estava com 30 semanas de gravidez, em junho de 2025, ela buscou a Maternidade Moura Tapajóz após sentir fortes dores pélvicas. No local, ela teve a morte fetal diagnosticada por uma médica e referendada após ultrassom por outro médico, mesmo ela continuando a sentir o bebê se mexer em seu ventre.
A jovem chegou a ser preparada para um parto induzido, mas não conseguiu um leito. A influenciadora optou então por buscar uma outra maternidade, onde foram realizados novos exames que constataram que o bebê na verdade estava vivo. O menino Jorge nasceu saudável no dia 3 de setembro do ano passado.












