Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O cenário econômico do país apresentou certa preocupação referente aos dados oficiais da inflação para o mês de fevereiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), alcançou 0,83% e, praticamente, dobrou na comparação com janeiro, quando a taxa ficou em 0,42%.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS consultou economistas que explicaram a alteração divulgada nesta terça-feira, 12/3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados do instituto mostram que o índice foi movido pela educação, que disparou quase 5%.
O economista Dean Athayde afirmou à reportagem que o aumento na inflação, em fevereiro, já era esperado pelo mercado, que estimava um crescimento em torno de de 0,78%. O especialista explica que o mês de fevereiro, historicamente, tem uma sazonalidade, se referindo ao período educacional. E a educação foi o item que “mais pesou” na conta.
“O que mais pesou ao longo desse mês foram os três destaques, [educação, transporte, alimentação]. O primeiro deles foi, exatamente, a educação, que teve um aumento de quase 5% agora no mês de fevereiro. Isso ocorre devido aos reajustes das parcelas escolares. Quem tem filho em escola particular sabe que os preços geralmente aumentam nesse período de fevereiro”, destaca o economista.
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Dean pontuou os efeitos da crise climática como a principal influencia no segmento da alimentação, que sofreu com a queda da safra de soja e o milho, levando a ser o segundo destaque apresentado no aumento do IPCA. Além disso, o economista citou a seca histórica na região amazônica como responsável pela diminuição da oferta de alimentos.
“No caso da alimentação, a gente teve um aumento de quase 1% na cesta de alimentos. Isso ocorreu também devido ao El Niño, que prejudicou muito a safra. Aqui no Brasil, a gente sabe que tivemos uma seca aqui na região amazônica, por exemplo, uma seca histórica no ano passado, então isso diminui a oferta de alimentos e, obviamente, traz esse efeito inflacionário para a população“, ressalta.
O economista cita também o ponto forte da reoneração de imposto do ICMS sobre o combustível como um fator crucial para o aumento da inflação. Ademais, Athayde reforça a política econômica definida pelo Conselho Monetário Nacional, a ser seguida pelo Governo Federal a fim de controlar a inflação.
“O governo reduziu juros, veio reduzindo, e chegou a aumentar, na verdade, para controlar a inflação. Chegamos a ter uns juros em torno de 13,75, a taxa Selic, aumentou bastante para controlar a inflação. Como a inflação reduziu, ao longo dos últimos 12 meses, a gente pega esse acumulado, o Banco Central começou a cortar novamente a taxa de juros. Então, reduziu um pouco os juros para baixo, exatamente para voltar a incentivar“, explica.
Ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a economista Michele Aracaty afirma ver a elevação da inflação com cautela, e defende o trabalho da autoridade monetária do país, composta pelo governo e Banco Central. “Não causa preocupação, pois temos uma autoridade monetária que acompanha as oscilações do mercado e intervém quando necessário“, salientou a especialista.
“Me refiro à trajetória de queda da taxa de juros (taxa selic) que continuará caindo mediante o controle inflacionário e demais variáveis que impactam sobre a decisão do banco central”, ressalta Michele.
Segundo a economista, a autoridade monetária do país é responsável por tomar decisões técnicas e segundo ela, “está vigilante acerca das variáveis macroeconômicas nacionais e internacionais“.






