Redação Rios
Um conflito foi registrado no território indígena do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, no domingo, 8/10, após o governador Jorginho Mello (PL) anunciar o fechamento da barragem, apesar de um acordo com o Povo Xokleng. O motivo alegado foi a prevenção de enchentes de até 14 metros de altura na região.
A medida desencadeou um confronto entre a Polícia Militar e membros do Povo Xokleng, resultando em três indígenas baleados. Os feridos receberam atendimento pré-hospitalar no local.
A Barragem Norte, construída na Terra Indígena Ibirama Laklanõ Xokeng em 1970, é a principal defesa contra enchentes do estado e afeta diretamente o nível das águas do Rio Itajaí-Açu, em Blumenau.
“Tem sempre demandas e negociações com os indígenas, que nós os respeitamos e consideramos… Eles pediram algumas solicitações e a gente vai atender, sem dúvidas, mas a Polícia Militar está indo lá agora para dar segurança para que a equipe possa fazer o fechamento das duas barragens”, disse o governador.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) alegou que o fechamento da barragem estava acordado com o Povo Xokleng, com medidas de segurança para a comunidade, mas não houve laudo técnico sobre as consequências. O governo não cumpriu as medidas de segurança solicitadas pelos indígenas, levando a protestos reprimidos pela polícia.
O confronto deixou três indígenas feridos, com perfurações no abdômen, na perna e na coxa, cujo estado de saúde ainda não foi atualizado.
Na tarde de domingo, Jorginho Mello publicou um vídeo nas redes sociais no qual comemora o fechamento das duas barragens de José Boiteux, que diminuiria em dois metros o nível das enchentes na região. “Desde ontem à noite estamos lutando lá. Tivemos de enfrentar uma série de barreiras humanas, madeira nas estradas, os índios não deixando a gente avançar, mas a gente conseguiu chegar”, disse.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina afirma que o confronto foi “pontual, com um grupo pequeno de indígenas”. Em um vídeo também enviado pela pasta à reportagem, o coronel Aurélio José Pelozato da Rosa, comandante-geral da Polícia Militar do Estado, diz que o conflito começou quando um grupo que ocupava a casa de máquinas da Barragem Norte se recusou a sair e um dos membros tentou retirar a arma dos policiais.
O Ministério dos Povos Indígenas mobilizou a Polícia Federal e a Funai para garantir a segurança da comunidade e enviou representantes para resolver o conflito sem novos confrontos. Além disso, se comprometeu em enviar representantes próprios e da Advocacia Geral da União (AGU) para acompanhar de perto os desdobramentos e garantir a resolução do conflito sem novos confrontos.
*Com informações da Agência Estado






