Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nesta segunda-feira, 25/3, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução inédita de cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. Dez países rotativos liderados por Moçambique tomaram a decisão. É a primeira vez durante várias tentativas que o conselho conseguiu aprovar um cessar-fogo no território palestino.
O texto estabelece a trégua durante o mês do Ramadã, período sagrado para os muçulmanos – que começou dia 10 e termina em 9 de abril – , mas pede que o prazo aumente até se tornar permanente.
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A resolução também pede a “libertação imediata e incondicional de reféns” e “a necessidade urgente de expandir o fluxo” de ajuda humanitária para Gaza. Pela primeira vez desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, nenhum país votou contra a medida. Houve 14 votos a favor e uma abstenção, dos Estados Unidos.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com historiadores para saber quais os impactos desta resolução da ONU sob o ponto de vista histórico mundial.
Decisão histórica e tardia
Para o historiador Ygor Olinto Rocha Cavalcante, está é uma decisão histórica, mas tardia.
“É devastador assistir as cenas terríveis de meninas implorando pela morte, após enfrentarem a morte de irmãos e familiares. Mais dramática ainda é a impossibilidade de viver a experiência do luto. Todavia, para uma adequada compreensão desse gesto do Conselho de Segurança da ONU precisamos dizer que não há vitória e que essa decisão chega muito tarde. Somos todos perdedores no que diz respeito ao conflito que envolve Israel e Palestina.”
Ressalta Olinto.

De acordo com o pesquisador, as condições do conflito permanecem e é mais importante do que nunca realizar a tarefa difícil, senão impossível, de unir Israelenses e Palestinos contrários ao conflito na busca por soluções.
“A ONU, como instância de mediação entre os povos, está frágil e impotente. É urgente pensar em novas instituições que tenham autoridade para mediar os conflitos globais e, além disso, permita tomada de decisão rápida e eficiente em situações graves que exijam soluções globais e comuns, como aconteceu com a pandemia de Covid-19”, disse Ygor Cavalcante.
Abstenção dos EUA
De acordo com o historiador Aguinaldo Nascimento Figueiredo, seria ótimo e urgente que todos os pedidos do Conselho de Segurança da ONU fossem atendidos, porém, ele acredita que há outros interesses bélicos.
” Seria ótimo e urgente o cessar fogo, a liberação dos reféns e a salvação dos flagelados para a restauração da dignidade humana, mas os interesses estão na venda de um míssil patriota de 6 milhões de dólares, bem como os foguetes iranianos para alimentar a guerra Santa que mata.”
Reflete Figueiredo.

Segundo o professor, infelizmente, por mais ameaças e resoluções que o Conselho possa tomar que não seja uma intervenção militar global, com apoio incondicional dos 5 grandes, tudo não vai passar de retórica, ou seja, sem respostas.
“O Hamas não tem forças organizadas suficiente para fazer frente ao poderio judeu. Netanyahu já avisou que não vai parar a ofensiva genocida vingativa até liquidar com pelo menos 70% do povo palestino, pois cada criança que morre é um “terrorista” a menos, segundo a lógica de Manahen Begin, um dos mais duros líderes judeus que enfrentou Yasser Arafath“, explicou.






