Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A greve dos rodoviários, que paralisou cerca de 30% da frota de ônibus em Manaus na manhã desta terça-feira, 15/4, causou transtornos a diversos usuários do transporte coletivo. A mobilização reivindica reajuste salarial para a categoria e a permanência dos cobradores nos coletivos.
A paralisação começou por volta das 4h da manhã, aumentando significativamente o tempo de espera em paradas e terminais. Com menos ônibus circulando, os veículos que continuaram operando ficaram superlotados, especialmente nas primeiras horas do dia.
Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), a greve gerou reclamações entre trabalhadores, estudantes e aposentados que dependem do transporte público diariamente.
A aposentada Blandina Michiles, de 73 anos, foi uma das usuárias afetadas. Indignada, ela relatou a dificuldade de se locomover nesta manhã:
“Eu não sei o que está acontecendo. Fui visitar minha irmã e já tinha demorado uma hora dentro do ônibus. Hoje, passei uma hora e meia no coletivo. Agora estou há mais de uma hora esperando o 214 e ele não passa”, disse.
Vanusa Lima, de 48 anos, também enfrentou dificuldades, mesmo já sabendo da paralisação. Ela saiu de casa para buscar doações na Fundação de Apoio à Pessoa com Deficiência (Fada), mas foi surpreendida com a continuidade da greve durante a tarde.
“Vi nos grupos que haveria redução, mas precisei sair para pegar uma doação no Fada. Achei que a greve fosse só pela manhã, mas me informaram que continua à tarde. Estamos quase entrando no feriado e já nessa situação. Quem depende de ônibus nunca tem paz. Entendo que eles lutam por melhorias, mas isso acaba nos prejudicando também“, afirmou.
O universitário Cláudio também sentiu os reflexos da greve ao sair para a faculdade.
“Ontem ainda estava normal, mas hoje pela manhã foi complicado. O ônibus demorou tanto que acabei chegando atrasado. Mas eu entendo, eles estão lutando pelos próprios direitos”, disse.
Ele também destacou a responsabilidade do poder público. “No fim das contas, não é culpa dos rodoviários, e sim da política pública. Um reajuste salarial e a permanência dos cobradores são demandas justas. A falta de acordo só mostra a ineficiência da gestão”, completou.
Resposta
Em nota, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que está acompanhando de perto a situação:
“O IMMU monitora, com máxima atenção, o movimento grevista anunciado pelo Sindicato dos Rodoviários para esta terça-feira, 15/4, bem como o andamento das negociações entre as partes envolvidas.”
Ainda não há previsão para o fim da paralisação, e os impactos devem continuar nos próximos dias caso não haja avanço nas negociações entre trabalhadores e empresas do setor.






