Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) mostram que, em 2025, mais de 20% dos partos no Amazonas foram de meninas entre 10 e 19 anos. Foram 13.513 partos de adolescentes entre os 64.847 nascimentos registrados no estado – ou seja, a cada cinco bebês, um nasceu de mãe adolescente.
Especialistas afirmam que a gravidez precoce está ligada a vulnerabilidade social, que envolve questões estruturais, familiares e culturais, e não apenas escolhas individuais.
“Muitos municípios do interior enfrentam dificuldade de acesso à educação e à saúde, com longas distâncias até as unidades básicas e menos oferta de serviços especializados para adolescentes”, explica a ginecologista Sigrid Cardoso, citando cidades como Coari e Manacapuru.

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Segundo ela, a falta de diálogo sobre sexualidade, desinformação sobre métodos contraceptivos e condições sociais como pobreza, violência e falta de oportunidades aumentam o risco de gravidez precoce.
“Prevenir a gravidez na adolescência é responsabilidade de toda a sociedade. A família deve conversar abertamente com os filhos sobre sexualidade e escolhas de vida. Isso fortalece vínculos e dá segurança para tirar dúvidas”, afirma.
Riscos para a saúde
A gestação precoce pode trazer complicações físicas e emocionais. Meninas entre 10 e 15 anos enfrentam maior risco de pressão alta, anemia, infecções e partos prematuros, além de chances do bebê nascer com baixo peso.
No aspecto emocional, a gravidez precoce pode gerar ansiedade, medo, estigma social e interrupção da vida escolar, comprometendo projetos futuros.
“A falta de educação sexual e de acesso a métodos contraceptivos faz com que muitos adolescentes não conheçam bem o próprio corpo e não saibam se proteger”, alerta a ginecologista.
Ela reforça que é preciso informar, orientar e facilitar o acesso a métodos contraceptivos nas unidades de saúde, além de criar serviços amigáveis para adolescentes, que tirem dúvidas com respeito e confiança.






