Redação Rios
BRASIL – O governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está buscando um empréstimo de R$ 20 bilhões junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e a instituições financeiras privadas para os Correios.
A operação deverá contar com garantias da União e estará condicionada à adoção de medidas para reestruturar a gestão da estatal, com o objetivo de recompor as perdas acumuladas nos últimos três anos, além dos prejuízos registrados nos dois primeiros trimestres de 2025 — entre abril e junho, o rombo foi de R$ 2,6 bilhões. Procurada pela reportagem, a direção dos Correios não se manifestou sobre o assunto.
Os recursos solicitados seriam destinados a viabilizar ações como um programa de demissões voluntárias, o pagamento de dívidas com fornecedores e investimentos para aumentar a eficiência da estatal.
Leia também: Janja representará o Brasil em seminário internacional em Paris
Em setembro, Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, assumiu a presidência dos Correios, substituindo Fabiano da Silva. A gestão anterior criticava medidas do Ministério da Fazenda, como a chamada “taxa das blusinhas”, que endureceu a fiscalização sobre a importação de produtos de baixo valor sem o pagamento de tributos.
Dívidas e Compromissos Financeiros
A crise financeira dos Correios tem gerado um aumento das cobranças por parte de fornecedores, que recorreram à Justiça devido a pagamentos em atraso.
Além disso, a empresa possui compromissos com bancos privados, como o BTG Pactual, um dos potenciais credores no novo pacote de socorro financeiro negociado com o governo.
Prejuízos Crescentes
Desde 2022, os Correios têm registrado prejuízos consecutivos, com uma deterioração dos resultados financeiros a cada semestre. Em 2022, a empresa registrou um prejuízo de R$ 767 milhões, que foi reduzido para R$ 596 milhões em 2023. No entanto, em 2024, o rombo aumentou consideravelmente, chegando a R$ 2,59 bilhões.
No início de setembro de 2025, a estatal divulgou um prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 222% em relação aos R$ 1,35 bilhão negativos registrados no mesmo período de 2024.
No segundo trimestre de 2025, o prejuízo foi de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior que os R$ 553 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Em seu balanço financeiro, a empresa explicou que enfrenta dificuldades financeiras devido a fatores externos que impactaram diretamente a geração de receitas.
Entre os principais motivos apontados estão a queda no segmento internacional, causada por mudanças regulatórias significativas nas importações de produtos, o que resultou na redução do volume de postagens e no aumento da concorrência, afetando diretamente as receitas deste setor. A estatal fez uma referência indireta à “taxa das blusinhas”, instituída pelo governo Lula, como um dos fatores para essa queda.
Busca por Soluções
Em entrevista ao Estadão em julho, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, reconheceu a situação financeira precária dos Correios e afirmou que a solução para reverter o quadro depende da adoção de uma combinação de cortes de custos e aumento de receitas.
“Tem que cortar custos de um lado e buscar receita de outro. Essa é a solução para os Correios, que estão em um setor em transformação”, declarou Dweck.
Ela destacou que, além de perder o monopólio das entregas no Brasil, os Correios ainda têm a obrigação de manter serviços em todo o território nacional, incluindo regiões remotas e de baixo retorno financeiro.
*Com informações da Agência Estado






