Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Gil Romero Machado Batista, de 41 anos, confessou durante confronto com José Nilson Azevedo da Silva, o ‘Nego’, a autoria do assassinato da jovem Débora da Silva Alves, de 18 anos. Após executar a jovem, Romero abriu a barriga de Débora com uma faca de cortar pão, retirou o bebê e o descartou dentro de um saco no rio Negro, no trajeto do Castanho, região metropolitana de Manaus.
As informações foram durante a coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira, 10/8, na Delegacia Geral de Polícia. Diversos detalhes sobre morte de Débora e seu bebê Arthur foram reveladas. Inclusive, as circunstâncias do crime, caracterizado como feminicídio e infanticídio, destacando a urgente necessidade de conscientização sobre a violência de gênero.
A investigação revelou que Gil Romero, acusado de ser o autor do crime, agiu com brutalidade, crueldade e frieza.
A delegada Débora Barreiros, adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), relatou que Gil Romero admitiu ter assassinado Débora por asfixia, e com uma faca de cozinha, retirou o bebê do ventre da jovem.
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Ainda de acordo com a investigação, Gil colocou o bebê em um saco de estopa com pedaços de ferro, e o jogou no rio. O delegado geral Bruno Fraga enfatizou a gravidade desse ato bárbaro, chamando a atenção para a necessidade de buscar justiça para as vítimas.
Circunstâncias detalhadas do crime
Ricardo Cunha, titular da DEHS, informou que Gil Romero atraiu Débora até o local para discutir a questão da paternidade do bebê Arthur Vínicius. A discussão escalou para agressão física, levando à morte de Débora por estrangulamento.
O depoimento revela uma sequência de eventos ainda mais chocante, na qual Gil Romero, insensivelmente, utilizou uma corda para enforcar a vítima, queimou seu corpo e, depois, cortou seu ventre para remover o bebê já sem vida. A brutalidade do crime é um testemunho da violência que as mulheres enfrentam em relacionamentos abusivos.
Segundo Cunha, Gil afirma categoricamente que a esposa dele, Ana Júlia Azevedo, não tem qualquer tipo de envolvimento. Ele diz que só avisou para a companheira que ele havia feito uma besteira e teria que sumir.
“Claro que a esposa já sabia do que se tratava, mas em relação ao crime, neste primeiro momento, não estamos vendo grandes participações da Ana Júlia”, revelou.
Em seu relato detalhado, a delegada adjunta da DEHS, Débora Barreiros, descreveu as circunstâncias terríveis que levaram à morte de Débora e seu bebê.
Segundo a delegada, um novo interrogatório foi necessário para entender de fato o que aconteceu naquela noite na usina onde Gil Romero trabalhava. “Nós conseguimos autorização da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) para que José Nilson Azevedo da Silva, conhecido como ‘Nego’, fosse prestar depoimento junto com Gil Romero, de modo que a cada ponto de contradição entre o que eles falavam, conseguíssemos ver, junto às provas que nós já temos, o que era pertinente naquilo que eles estavam falando”, relatou.
Débora, contou que era comum esses furtos no galpão. Gil e Nego sempre iam ao local de madrugada, dando dinheiro para um vigilante para entrar e passar que despercebido. No dia do crime, Nego foi levado até o local, junto com uma terceira pessoa, inicialmente, para cometer esses furtos.
“Gil Romero resolve atrair a Débora até o local para tratarem sobre a questão da paternidade. Dentro do carro, já na usina, estacionados, eles começam a discutir porque, segundo ele, ‘ela já estava demais’, porque ela já tinha recebido R$ 500 e ele já tinha pago alguns exames, mas, segundo ele, ela queria que ele assumisse a paternidade e desse objetos para a criança, como berço e utensílios que os bebês precisam”, detalhou.
A delegada falou que Gil agrediu fisicamente Débora até desacordá-la. Ao sair do carro, chamou o nego e perguntou para ele: ‘tu garante?’. Assim que Nego confirmou, eles pegaram uma corda que estava na picape Montana, dirigida por Nego, voltaram ao Honda Civic em que Débora estava. Ao ver a mulher, Nego, então, disse: ‘ela é uma mulher, ela está grávida’. Então Gil disse: ‘Então, eu vou puxar primeiro’. E começou a puxar a moça pelo pescoço, com a corda.
Ela começou a contorcer-se, lutando pela vida. Então, ele viu que tinha feito uma besteira, mas Nego disse: ‘Começou, vamos finalizar.’ Gil pisou no peito de Débora e com a corda por trás do pescoço, a estrangularam e a levaram para o galpão. Colocaram o corpo em um tonel, atearam fogo e levaram até um matagal.
Nego foi embora e Gil voltou ao trabalho. Em dado momento, Gil começou a pensar que se o corpo da criança fosse encontrado e submetida a DNA, ele viraria o principal suspeito do crime. Desesperado, pegou uma faca de pão e foi até o tonel onde estava o corpo. |Abriu a barriga de Débora, tirou a criança que já estava morta e colocou em um saco de estopa. Encheu de objetos metálicos, resto de obra. Fechou aquele saco e colocou no porta-mala do carro dele. Gil ainda chegou a dar carona para um vigilante que precisava pegar um ônibus mais à frente, no final do expediente.
Foi até o porto do Ceasa, estacionou o carro, pegou um mototáxi com aquela sacola e foi até o porto. Viu um catraieiro e resolveu atravessar para o lado do Careiro, a 124 quilômetros de Manaus, e no meio do rio, arremessou o saco, que afundou imediatamente devido ao peso.
Só estavam ele e o catraieiro, que perguntou o que ele tinha jogado e ele disse que era um resto de obra. Pagou o catraieiro, depois pegou um outro barco e voltou para Manaus. Foi para casa dormir .
Ao saber que estava sendo procurado pela família da Débora e que ele poderia ser encontrado pela polícia, Gil disse à família que tinha feito uma grande besteira e fugiu. Gil foi encontrado nesta quarta-feita, 9/8, em uma comunidade de nome Curuá, no município de Alenquer (PA), onde foi preso e encaminhado para o município de Óbidos, para em seguida ser transferido para Manaus, onde permanece preso.
Apelo à conscientização e ação
Na coletiva, a deputada Estadual Alessandra Campelo, da Procuradoria Especial da Mulher, expressou sua tristeza e choque diante da frieza demonstrada pelo autor do crime.
Ela ressaltou a importância de reconhecer a cruel realidade do feminicídio no país, onde, diariamente, pelo menos quatro mulheres são vítimas dessa violência. Alessandra Campelo apelou à população para denunciar situações de violência e apoiar as vítimas, muitas das quais vivem em prisões psicológicas de relacionamentos abusivos.






