Letícia Rolim – Rios de Notícias
RORAIMA – Mais um episódio de violência contra indígenas ocorreu na Terra Yanomami, localizada em Roraima, na região de Surucucu. Imagens apontam que duas crianças e um adolescente da etnia Yanomami foram amarrados a troncos de árvores e ameaçados por garimpeiros dentro da reserva.
Os agressores, em um ato hediondo, registraram as cenas de violência, que posteriormente foram entregues às autoridades competentes. Segundo as informações disponíveis, as imagens foram capturadas na última terça-feira, 19/9.
O vídeo mostra os invasores acusando os Yanomami de terem furtado celulares. As cenas chamam a atenção e levantaram preocupações sobre a segurança dos indígenas na região.
A Associação Hutukara Yanomami, empenhada na defesa dos direitos e da integridade dos Yanomami, entregou as evidências às autoridades responsáveis, incluindo o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, a Funai e o Ibama. Até o momento, não foi possível apurar o desfecho desse episódio.
Diante desses acontecimentos, a Associação Hutukara Yanomami destaca “a necessidade urgente de ação por parte das autoridades competentes”. “O Brasil, precisa assegurar a proteção dos povos indígenas e a preservação de suas culturas ancestrais, repudiando atos de violência e garantindo a justiça para as vítimas”.
Crime Bárbaro
No último domingo, 17/9, a adolescente indígena Karipuna Maria Clara Batista, de apenas 15 anos, morreu após ser vítima de um crime bárbaro.
Karipuna foi estuprada, brutalmente afogada na lama e jogada em uma área de pântano na região de Oiapoque, no Amapá. Após o ataque, a jovem indígena foi levada em estado grave para um hospital em Caiena, capital da Guiana Francesa, onde lutou pela vida por quatro dias, mas, não resistiu.
Ataque aos Yanomami
A tragédia que assola os povos indígenas no Brasil, em específico aos Yanomami, persiste de forma alarmante, marcada por inúmeros episódios de violência brutal que perduram por anos. Essas comunidades enfrentam uma série de males, incluindo assassinatos, prostituição forçada, violência sexual e um aumento preocupante nas taxas de suicídio, todos eles com raízes profundas na presença de garimpeiros em terras indígenas.
No dia 7 de julho, o corpo de uma criança indígena, de 7 anos, foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros de Roraima na comunidade Parima, na Terra Yanomami. A criança foi morta durante ataque a tiros. Na ocasião, mais cinco pessoas também ficaram feridas: um líder indígena, de 48 anos, uma mulher de 24 anos, a filha dela, de 5, e duas meninas, de 15 e 9 anos.
Já em abril, um indígena morreu e outros dois ficaram feridos após ataque a tiros a uma comunidade em Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Baleados, os sobreviventes foram levados às pressas para serem internados em hospital de Boa Vista (RR).
Além disso, em agosto, mais de 50 garimpeiros foram presos durante a Operação Ágata Fronteira Norte na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.






