Redação Rios
BRASIL – A Operação Última Milha, da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta sexta-feira, 20/10, identificou o sistema de espionagem sendo usado de forma ilegal por servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sem autorização judicial. Ao todo, 33 mil monitoramentos ilegais foram realizados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, a agência era comandada pelo atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL).
Um grupo de servidores foi detido pelo uso ilícito da ferramenta. A polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão, sendo um dos alvos o atual secretário de Planejamento e Gestão Paulo Maurício Fortunato Pinto, o número 3 da Abin. Na casa do secretário foram encontrados cerca de US$ 171 mil em espécie. A polícia vai investigar a origem do dinheiro.
Segundo os investigadores, 1.800 usos desse programa foram destinados à espionagem de políticos, jornalistas, advogados, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e adversários do governo do ex-presidente
As informações são do jornal O Globo
A lista inclui um homônimo do ministro do STF Alexandre de Moraes – o que, segundo os investigadores, reforça a desconfiança de que o ministro tenha sido alvo do esquema ilegal.

Para não deixar vestígios, a “gangue Abin de rastreamento”, como os investigadores têm chamado os servidores, apagou dos computadores a grande maioria dos acessos, segundo a TV Globo.
O sistema FirstMile é capaz de detectar um indivíduo com base na localização de aparelhos que usam as redes 2G, 3G e 4G. Para encontrar o alvo, basta digitar o número do seu contato telefônico no programa e acompanhar em um mapa a última posição. Desenvolvido pela empresa israelense Cognyte (ex-Verint), o software se baseia em torres de telecomunicações instaladas em diferentes regiões para captar os dados de cada aparelho telefônico e, então, devolver o histórico de deslocamento do dono do celular.
No total, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão: um em Brasília, três em Santa Catarina, dois em São Paulo, dois no Paraná e um em Goiás. Outro alvo da operação é o filho do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo Bolsonaro. Conforme a PF, Caio Cesar dos Santos Cruz teria intermediado a venda do programa de espionagem, FirstMile, da empresa israelense, com o governo do Brasil.
A operação resultou na prisão de dois agentes da Abin: Rodrigo Colli, profissional da área de Contrainteligência Cibernética do órgão, e Eduardo Arthur Yzycky, oficial de inteligência.
Segundo a PF, o grupo sob suspeita teria usado um “software intrusivo na infraestrutura crítica de telefonia brasileira” – para rastrear celulares “reiteradas vezes”. Os crimes teriam sido praticados sob o governo do ex-presidente. À época, a agência era comandada por Alexandre Ramagem, que hoje é deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro.
Em nota após a operação, a Abin diz que a Corregedoria-Geral da agência concluiu, em 23 de fevereiro de 2023, uma Correição Extraordinária – uma apuração interna – para verificar a regularidade do uso de sistema de geolocalização adquirido pelo órgão em dezembro de 2018. A partir das conclusões dessa correição, foi instaurada sindicância investigativa no dia 21 de março. De acordo com a Abin, a ferramenta deixou de ser utilizada em maio de 2021.
“Desde então, as informações apuradas nessa sindicância interna vêm sendo repassadas pela ABIN para os órgãos competentes, como Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal. Todas as requisições da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal foram integralmente atendidas pela ABIN. A Agência colaborou com as autoridades competentes desde o início das apurações. A ABIN vem cumprindo as decisões judiciais, incluindo as expedidas na manhã desta sexta-feira (20). Foram afastados cautelarmente os servidores investigados”
Nota da Abin
* Com informações da Agência Estado






