Redação Rios
MANAUS (AM) – O filme-documentário “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”, com estreia prevista para a primeira quinzena de abril, revisita a história de Etelvina de Alencar, jovem assassinada em 1901 na antiga Colônia Campos Sales – na região onde hoje se encontra o bairro de Santa Etelvina, em Manaus.
Mais de um século depois, ela se tornou objeto de culto popular, conhecida como “Santa Etelvina”, com fiéis que peregrinam por até três túmulos distintos atribuídos à jovem na cidade.
O local da estreia ainda não foi divulgado, mas a produção adianta que será escolhido por sua relação direta com o enredo do filme.
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Memória popular e feminicídio
Produzido pela CM ArteCultura & Produções e dirigido por Cleinaldo Marinho, o documentário parte da memória popular para compreender o fenômeno. Segundo relatos, Etelvina foi uma das cinco vítimas de seu ex-namorado em um episódio que marcou a antiga Colônia Agrícola por ciúme e mortes.
“O documentário não trata o culto como curiosidade folclórica, mas como dado histórico, uma forma de memória coletiva e crença que sobreviveu ao tempo e que se torna contemporânea diante de muitos casos de feminicídio, que não podem ser negligenciados pelas autoridades competentes”, afirma o diretor Cleinaldo Marinho.
Direção e compromisso com histórias de mulheres
A trajetória de Marinho como artista sempre explorou mulheres amazônidas. Em seu espetáculo teatral Ritmos de Inquieta Alegria, baseado na obra da poetisa Violeta Branca, ele destacou a vida da primeira mulher a ingressar em uma academia de letras no país. No filme “Ária – Fazendo a Vida Viver”, reconstruíu a história da artista Ária Ramos, que teve um fim trágico na Manaus da Belle Époque.
Em “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”, o diretor percorre a narrativa popular para preservar uma história negligenciada, transformando o cinema em ferramenta de memória e resistência.
Atuação e protagonismo
A atriz Rosana Neves, que trabalhou com Marinho em Ária – Fazendo a Vida Viver, interpreta Etelvina no documentário. Ela descreve a experiência como um mergulho na memória e na resistência da cidade:
“Cleinaldo tem um olhar muito atento sobre seus personagens, então busquei junto com ele não apenas interpretar uma figura real, mas sentir o peso e a beleza de sua trajetória. Foi um processo de descoberta, construção e responsabilidade. O que fica para mim é a força dessa mulher, que agora também faz parte da minha história como atriz. É uma honra ser o rosto que ajuda a manter viva essa memória”.
O elenco ainda conta com Neuriza Figueira, Ádria Alves, Larissa Baraúna, Dimas Mendonça, Márcio Braz, Fagner Coelho, Denis Carvalho, Jean Melo, Ruan Viana, Elizeu Melo, Giovana Bessa, Miro Messa e Raquel Cunha.
Ficha técnica e financiamento
Produção Executiva: CM ArteCultura & Produções
Direção: Cleinaldo Marinho
Direção de Produção: Denis Carvalho e Beto Padilha
Edição / Finalização: Black Marialva
Direção de Fotografia: Lucio Silva
Câmera: Ricardo Sassaki e Jair Campos
Som Direto: Denny Gomes e Márcio Garcia Jr.
Trilha Sonora e Masterização: Lucas Lima
Direção de Arte: Beto Padilha e Denis Carvalho
Figurino: Cleide Santana (Nega)
Cenografia e Produção de Objetos: Fred Barbosa e Marcos Rodrigues (Marquinhos)
O projeto foi contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo (LPG) – Concultura, com recursos do Governo Federal.
*Com informações da assessoria






