Kataryne Dias – Rios de Notícias
BRASIL – A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, no desfile do Carnaval da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, tem gerado debates entre especialistas e órgãos de controle.
A polêmica envolve o repasse de R$ 4 milhões à agremiação por meio da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), valor superior ao destinado a outras escolas contempladas.
A Acadêmicos de Niterói abre o Grupo Especial no domingo, 15/2, com desfile marcado para as 22h. O enredo será “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
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TCU nega suspensão
O caso foi analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que negou pedido de suspensão do repasse. A decisão foi tomada pelo ministro Aroldo Cedraz, relator do processo, que afirmou não haver, até o momento, comprovação de irregularidade na destinação dos recursos públicos. O tema também foi levado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde foi relatado pela ministra Vera Lúcia Santana Araújo.
Após manifestações técnicas, o TCU decidiu manter os recursos, destacando que não há confirmação sobre o uso específico da verba nem evidências de transferência direta com finalidade irregular. A Corte informou que a decisão poderá ser revista caso surjam novos elementos.
‘Fantasia populista’
O comentarista político Diogo da Luz também criticou a iniciativa durante o Jornal da Rios 95,7 FM. Para ele, o uso de recursos públicos em uma homenagem desse tipo pode transmitir uma imagem mais simbólica do que administrativa, classificando o episódio como uma possível “fantasia populista”.

“Existe o risco de a homenagem reforçar um aspecto folclórico da política, em vez de destacar ações concretas de gestão. Em um país que enfrenta problemas estruturais, isso pode ter um efeito negativo junto à população”, afirmou.
Para o analista político Afrânio Soares, homenagens de grande visibilidade a agentes públicos podem ser interpretadas como uma forma indireta de autopromoção, mesmo quando não partem diretamente do homenageado. Segundo ele, a situação pode gerar desgaste político ao longo do período eleitoral, embora, neste momento, o impacto seja considerado limitado.

“Tudo o que é feito em grande escala para homenagear um político pode ser visto como autopromoção. Ainda que não haja ilegalidade, isso pode se tornar uma polêmica durante a eleição”, avaliou.
Especialistas avaliam que, embora o episódio não tenha grande impacto imediato, a repercussão pode influenciar a percepção do eleitorado à medida que o calendário eleitoral se aproxima.






