Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma obra que deveria ser concluída em seis meses tem se arrastado por quase dois anos, gerando prejuízos e muita dor de cabeça para os permissionários do Mercado Municipal Dorval Porto, localizado na avenida Djalma Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul de Manaus. O prédio histórico, com 58 anos de existência, enfrenta hoje uma realidade de abandono, apesar das inúmeras denúncias já feitas.
A situação no local é crítica: o teto apresenta risco de desabamento, há mato no estacionamento, fiações expostas e, em dias de chuva, o espaço sofre com alagamentos, colocando em risco trabalhadores e frequentadores.
“Eu acho que deveria trocar o forro, resolver a questão dos fios soltos. A grade não pode ficar assim, porque pode cair em cima de alguém”, relatou Paloma Silva.


Em 2024, o Governo do Amazonas financiou a obra, por meio de convênio inicialmente orçada em R$ 2.562.414,11 (Dois milhões, quinhentos e sessenta e dois mil, quatrocentos e quatorze reais e onze centavos). A reforma teria início em 18 de março de 2024, com previsão de conclusão em 13 de setembro do mesmo ano, dentro de um prazo de 180 dias.
A execução estava sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (SEMACC), da Prefeitura de Manaus.

No entanto, segundo os trabalhadores, o projeto não avançou como previsto. “O que chega pra gente é que o dinheiro veio, já acabou e a obra não foi concluída. Há dois anos o mercado está parado. A secretaria vem, conversa, pede paciência, mas nada muda. De 45 boxes, se tiver 15 funcionando, é muito. O pessoal está desanimado”, afirmou Anderson Lopes, peixeiro que trabalha no local há 16 anos.
Mortes e acidentes
A cabeleireira Jaci Chaves, de 73 anos, trabalha no mercado há 15 anos e lamenta o cenário atual. “Antes era uma feira movimentada, alegre. Hoje é triste. Estamos abandonados. Quando chove, alaga tudo e ficamos à mercê disso. Em pleno sábado não tem movimento. Já vi gente morrer aqui, inclusive um colega meu. Precisamos de ajuda”, desabafou.

Fernanda dos Santos, que mantém um restaurante há 24 anos no mercado, precisou deixar o ponto interno por causa da reforma e foi deslocada para a área externa, onde permanece até hoje.
“Era pra ficar três meses aqui fora, mas já estou há dois anos. Os clientes não param, porque estou na beira da rua, com pombo e esgoto a céu aberto. É quente, não tem estrutura e meu bufê nem pode funcionar direito, não tem onde ligar. A gente continua porque precisa trabalhar”, relatou.

Apelo às autoridades
Diante da situação, trabalhadores cobram providências urgentes do poder público. “Que os políticos lembrem da gente não só na eleição. Já vimos várias equipes começarem e irem embora. Queremos uma equipe séria, que conclua a obra para podermos trabalhar e sustentar nossas famílias”, disse Fernanda.
Anderson também criticou a falta de continuidade das ações. “Eles só aparecem em época de eleição. Nosso estacionamento só está funcionando porque nós mesmos limpamos, junto com a comissão gestora, para tentar recuperar os clientes”, destacou.

Já Paloma reforçou o risco estrutural do espaço. “Que a prefeitura venha resolver essa fiação solta, antes que alguém leve um choque, e também o forro, porque assim afasta os clientes e coloca todo mundo em perigo”, disse.
Enquanto a obra segue sem conclusão, o tradicional mercado enfrenta um cenário de abandono, insegurança e queda no movimento, afetando diretamente o sustento de dezenas de famílias que dependem do local.
O Portal Rios de Notícias entrou em contato tanto com a Prefeitura de Manaus quanto com o Governo do Amazonas para solicitar esclarecimentos sobre a paralisação das obras e as condições atuais do Mercado Municipal Dorval Porto. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno por parte de nenhuma das esferas sobre os questionamentos relacionados ao andamento da reforma, aplicação dos recursos e previsão de conclusão dos serviços.O espaço segue aberto.






