Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os moradores do bairro Parque 10, na zona Centro-Sul de Manaus, têm reclamado da demora nas obras do Centro Social Urbano (CSU). As reformas anunciadas em maio deste ano pela Prefeitura de Manaus ainda estão em fase inicial.
Durante uma visita ao CSU do Parque 10, nesta quinta-feira, 15/8, a reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS constatou que algumas obras estão em andamento, principalmente na área da piscina e das quadras que passaram por serviços de troca de revestimento do piso e pintura.
A área estava interditada para a finalização dos serviços de acabamento, troca de traves e tabelas de basquete, além da construção de um muro para a quadra coberta. Nas piscinas, foi realizada a troca dos revestimentos internos e do piso externo, e as aulas de natação já estavam em funcionamento.

Entretanto, o projeto anunciado pela gestão municipal, em 10 de maio, prometia uma reforma completa. Além das áreas já mencionadas, o projeto prevê a reposição de areia no campo de futebol e de futevôlei, a reforma das laterais e arquibancadas dos campos, que contarão com uma cobertura contra a chuva, e a troca dos alambrados de proteção.
Contudo, após quatro meses, as obras avançam em ritmo lento, gerando insatisfação entre os moradores, que têm o centro como única opção de lazer e entretenimento na região.
O comerciante Marcio Elto Daniel, conhecido como “Daniel Rei” e morador do bairro há 30 anos, critica a gestão atual do CSU. Ativo nas redes sociais, onde mobiliza grupos de moradores, ele aponta que a reforma mal começou e já enfrenta paralisações, deixando muitos pontos críticos sem intervenção.
“O prefeito anunciou uma revitalização total do CSU, mas o que fizeram foi apenas trocar o piso das quadras e pintar algumas grades. Depois disso, abandonaram a obra”, afirma Daniel.
O morador também lamenta a não realização do tradicional festival folclórico do CSU, que, segundo ele, não ocorreu este ano devido às obras. Daniel destaca que o festival é essencial para a economia local, movimentando o comércio com cerca de 800 barracas de alimentação que operam durante todo o mês, e que agora são prejudicadas pela situação.
“Acabaram com uma tradição. Todos os anos temos o nosso festival, e já estamos em setembro quase sem qualquer previsão de realização”, conta o morador.
Durante a visita, a REPORTAGEM pôde verificar vários pontos do CSU em condições precárias, como o prédio da coordenação, que também engloba salas onde são realizados cursos profissionalizantes. O telhado está deteriorado, com telhas quebradas, e parte da estrutura apresenta inclinação. Os muros com grade estão comprometidos e apresentam rachaduras e inclinações em vários locais ao redor do centro.


Os alambrados que protegem os campos de areia estão com buracos e ferrugem. A areia já não é de qualidade, e em muitas partes a vegetação tomou conta dos campos. A iluminação também é precária, com holofotes quebrados, prejudicando a prática esportiva à noite.



Por motivos de preservação da dignidade humana, a REPORTAGEM optou por não registrar fotos de pessoas em situação de rua, mas sua presença é marcante no CSU do Parque 10, onde buscam abrigo nas áreas cobertas e mais afastadas do público. Também foi notado o consumo de entorpecentes por parte desse grupo dentro da área do centro. Gerando apreensão aos usuários do centro.
Transparência
Não foi encontrada a placa informativa obrigatória da obra pública, que deveria destacar o contato do órgão responsável pela execução do projeto e identificar o contrato, a duração da obra e a data estimada de conclusão.
Respostas
Membros da coordenação, que preferiram não se identificar, informaram ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que as obras no CSU não estão paralisadas, mas avançam lentamente para evitar a interrupção das atividades do centro. Eles garantiram que todos os serviços de reforma prometidos serão concluídos, porém, destacaram que não há um prazo definido para a finalização das obras e nem previsão para a realização do tradicional festival folclórico do Parque 10.
Além disso, foi esclarecido que, durante a noite, a segurança do centro é garantida pela presença da Polícia Militar ou da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU).
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus sobre as demandas apresentadas pela comunidade e aguarda resposta.






